Han Solo: Uma História Star Wars chega aos cinemas com a benção e a maldição de seu nome. Desde o Episódio IV: O Império Contra Ataca, não houve um filme da franquia de Star Wars que conseguiu ser unânime entre os fãs, apesar dos sucessos de público. A nova aventura do lendário herói rebelde não deve ser diferente.

O filme se mostra ousado de uma maneira surpreendente. Enquanto a grande especulação do público regular poderia imaginar que um prólogo de aventuras para Han poderia ser perigoso para o personagem, o filme não se arrisca muito e traz um lado bastante respeitoso nesse sentido. Alden Ehrenreich está impecável como protagonista. Mesmo aquele que não poderia imaginar Han Solo como outro que não Harrison Ford será obrigado a dar o braço a torcer. Apesar de demorar um pouco para engrenar, ator consegue emular o exato tom de ironia, arrogância e carisma que Han Solo merece, sem em nenhum minuto imitar Ford.

Alguns aspectos de seu passado podem incomodar o fã mais criterioso. Sua relação com Qi’ra, por exemplo, pode enfraquecer ou parecer fora de tom quando imaginamos seu futuro romance com Leia, mas não chega a romper com a espinha dorsal das histórias já contadas como os prólogos dos anos 2000. Emilia Clarke é interessante como Qi’ra. A personagem se move entre tons diferentes de maneira sutil, sem perder o foco, e mostra sua capacidade atuação quando comparada com seus outros papéis.

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A ousadia fica por conta da edição e montagem do filme. É de longe o mais longe de Star Wars o possível, e pode ser o sinal de que uma mudança deve acontecer na maneira clássica de se contar uma história da franquia. As transições clássicas são completamente esquecidas, e o filme abraça um ritmo mais dinâmico, o que não impede o espectador de se sentir dentro do universo Star Wars, já que toda a cenografia é altamente respeitosa. O filme ainda consegue expandir um pouco do universo. Novos locais são o mínimo, já que novas personalidades, decorrentes de novas concepções que vemos sobre o Império, dão um tom interessante para o filme. O público verá a melhor amostra até agora do que é o Império para aqueles que lidam com problemas cotidianos, ao invés de ficar vagando pelo espaço.

O roteiro não é brilhante, mas cumpre seu papel. O longa traz uma aventura divertida que soube mesclar bastante o sentimento de familiar com o novo. Muito das falas dos personagens são nitidamente referências aos filmes anteriores, mas que acontecem de forma muito orgânica e inteligente, fazendo com que suas ‘autoreferências’ sirvam para mostrar que além de uma tecnologia em comum, os personagens desse universo gigantesco compartilham uma cultura em comum.

Donald Glover obtém o destaque que o personagem de Lando Calrissian merece. Assim como Han se tornou um favorito justamente por não ser o protagonista, Lando agora assume esse papel e se mostra à vontade nele. O público deve sair do cinema não querendo apenas mais de Han Solo e Chewie, mas torcendo para que Lando se junte aos dois, caso existam próximas aventuras, já que o longa deixa espaço para que isso aconteça. A L3-37, Phoebe Waller-Bridge é a personagem que mais deve cativar o público. A andróide traz questões de gênero, especismo e sociedade de forma bem humorada, sendo o destaque de humor do filme, continuando uma tendência lançada com C3PO e seguida por K-2SO, de Rogue One: Uma História Star Wars.

O balanceamento perfeito entre o antigo e novo, seja na mistura de efeitos especiais e efeitos práticos, seja na mistura de um velho universo com um novo olhar fotográfico, faz de Han Solo: Uma História Star Wars divertido tanto para o público já conquistado de Star Wars como para a nova geração que começou a entrar na franquia após a compra da Lucasfilm pela Disney. Apesar de se mostrar em direções um pouco óbvias às vezes, e de ter uma ou outra cena que pode incomodar o fã mais ortodoxo, o filme expande um universo que é amado pelos fãs de cinema, sendo respeitoso ao mesmo tempo que tem pontos inovadores.

Han Solo: Uma História Star Wars
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