Jurassic World: Reino Ameaçado é mais do que a sequência de Jurasic World. É a volta da franquia à sua grandeza, sem se apoiar apenas em seu passado. Dessa vez, o filme não encontra os problemas que encontrou em seu primeiro longa e, mesmo como uma continuação, se sustenta por si só.

Nas mãos de J.A. Baoyna, o filme deixa rápido sua característica de aventura para embarcar em uma ficção científica que, mesmo com momentos leves, ganha aspectos de thriller de terror. A fotografia fica mais escura e deixa de lado os momentos cafonas que existiram no filme de 2015. Os personagens são mais verossímeis e respeitosos e a trama é muito mais interessante.

Quando o filme se apoia em sua trilogia de origem, Jurassic Park, trazendo participações como a de Jeff Goldblum ou citações à momentos anteriores, ela faz questão de não deixar o novo público de fora. Tudo é bastante explicado, apesar do filme demorar para engrenar. O longa começa um pouco rápido, e meio apressado. Isso acontece porque a continuação faz questão de deixar de lado seu passado sem desrespeitá-lo. Logo de cara é entendido que os personagens de Chris Pratt e Bryce Dallas Howard, por exemplo, são os mesmos. Mas dessa vez, eles fogem dos clichês antes apresentados e se tornam mais interessantes do que com seu pano de fundo anterior.

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Pratt tem seu carisma característico sem ser imbatível. Howard mostra a sua força sem sofrer uma objetificação. A química dos dois é ainda melhor. As chegadas de Justice Smith e Daniella Pineda trazem personagem novos, divertidos e eficazes para o longa. Ted Levine mostra mais uma vez porque vem crescendo em Hollywood.

Os efeitos do filme são ótimos, e o longa é um dos poucos que justifica seu uso da tecnologia 3D com elegância, sem abusa-lo. A parte que podemos ver, de fato, uma aventura, é contagiante e deve deixar o público preso em seus assentos de cinema. Bayona parece nitidamente mandar uma mensagem para o primeiro filme do resgate da franquia, e, ao mesmo tempo em que resgata o sabor das continuações do primeiro filme da franquia, traz algo novo para o universo.

A partir de um certo ponto, temos uma trama digna de ficção científica em um enredo que, com ajuda de seu novo tom, chega a lembrar Alien: O Oitavo Passageiro. Mesmo com cenas leves, dessa vez a participação infantil, característica de filmes de Steven Spielberg, é muito menos clichê. A participação infantil é muito melhor justificada do que apenas uma questão comercial, e os assuntos que tangem a discussão sobre família fogem dos clichês encontrados na maioria dos filmes hollywoodianos e ganham um aspecto muito mais profundo.

Há, é claro, problemas no filme. Depende do nível de abstração do público e de nada mais. Apesar das cenas serem bem feitas, o perigo não parece extremamente real. Alguns humanos correm mais do que dinossauros, mas dessa vez, eles pelo menos não estão de salto alto. Nada que atrapalhará o aproveitamento do longa ao grande público, mas um espectador mais exigente pode acabar se incomodando com a “armadura do protagonismo”. Nenhum momento do filme é realmente surpreendente, mas isso não é incômodo. Os personagens são tão bem apresentados que o público deve conseguir em alguns momentos prever suas ações, mas não de uma forma rasa, mas sim que faz sentido.

Jurassic World: Reino Ameaçado é um filme divertido, que entretém de uma forma muito mais madura do que Jurassic World. Dinâmico, quando o longa lhe dá tempo para respirar, é normalmente para lhe emocionar. Os problemas do filme anterior são, aos poucos, apagados e sua novidade não fica só na mudança estética, mas também no roteiro e nas suas futuras implicações, que devem dar uma cara ainda mais nova para a franquia. Mesmo quem não se empolgou em saber que Jurassic World ganharia uma sequência, deve acabar torcendo para que a franquia não acabe por aqui.

Jurassic World: Reino Ameaçado
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