Após o premiado Dia de Treinamento, a parceria entre o ator Denzel Washington e o diretor Antoine Fuqua foi retomada apenas treze anos depois, com o longa de ação O Protetor, no qual Washington interpretava o vigilante Robert McCall. O filme, que ainda contava com Marton Csokas e Chloë Grace Moretz em seu elenco, obteve um sucesso financeiro maior do que o esperado, o que tornou a eventual produção de uma sequência inevitável.

Eis que O Protetor 2 é finalmente lançado, trazendo Washington de volta como McCall em uma história de vingança mais pessoal, novamente dirigida por Fuqua. Desta vez, o vigilante vai atrás dos assassinos de sua amiga Susan, interpretada por Melissa Leo, e acaba se envolvendo em uma perigosa teia de conspirações. McCall então conta com a ajuda de Dave, antigo parceiro de operações na CIA encarnado por Pedro Pascal (Game of Thrones), para descobrir os culpados.

O mistério central do roteiro de Richard Wenk é, de longe, o aspecto mais desinteressante do filme. Apesar dos verdadeiros vilões serem revelados a caminho do último ato, tais viradas podem ser adivinhadas antecipadamente através de um simples processo de eliminação. Também não ficam muito claras as motivações de certos personagens, que são desenvolvidos de maneira muito vaga. Não se trata de um enredo ruim, apenas bastante genérico e, por isso, pouco cativante.

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Contudo, como no primeiro longa, esse fio principal da trama corre em paralelo com outras subtramas, focadas em personagens coadjuvantes que McCall conhece. Neste filme, o herói trabalha como um motorista do aplicativo Lyft, criando vínculos com alguns de seus passageiros. Além disso, McCall adentra a vida de outros desconhecidos, entre eles o jovem Miles, que é interpretado por Ashton Sanders (Moonlight – Sob a Luz do Luar).

É nas interações entre McCall e Miles que se encontra o coração de O Protetor 2. Numa espécie de relação entre mentor e aprendiz, o protagonista confronta as escolhas do jovem que flerta com uma vida de crimes, o que resulta em alguns momentos de bom impacto dramático. Destaca-se a cena em que McCall, furioso, alerta Miles de seu desconhecimento da morte, potencializada pela entrega excelente de Washington. Essa subtrama, portanto, é elevada entre as demais, mesmo que nos minutos finais seja incorporada com artificialidade ao conflito principal.

Se há algo que difere o diretor Antoine Fuqua entre os demais cineastas de ação, é essa habilidade em conferir substância às histórias que executa, independente da qualidade do texto. Mantendo-se fiel não só à estrutura mas também aos valores do primeiro O Protetor, Fuqua entrega uma sequência coerente que preserva o altruísmo que torna McCall num herói de ação único, capaz de infligir grandes quantidades de dor ao mesmo tempo em que continua inabalável em seu senso de moralidade.

Mas é claro que, apesar do coração de ouro de seu protagonista, boa parte do público estará mais interessada em vê-lo despachando gente de todos os lados. Nesse quesito, O Protetor 2 não decepciona e consegue ser ainda mais sanguinolento que seu predecessor, partindo direto para a ação em um prólogo dentro de um trem a toda velocidade.

O filme tem longos períodos de descanso entre cada explosão de violência, porém cada uma destas é executada de maneira feroz por Fuqua – em especial a luta dentro do carro de McCall (Uber-Fu?) e o tiroteio final em meio a uma tempestade. E quando a pancadaria não ocorre, há também momentos eficientes de pura tensão, como aquele que envolve o esconderijo secreto no apartamento do herói. Isso não é surpresa: quando se trata de ação ou tensão, Fuqua raramente deixa a desejar.

Ainda assim, Denzel Washington é o que realmente eleva O Protetor 2 como entretenimento. Sem ele, provavelmente seria difícil distinguir este filme de tantos outros exemplares competentes de ação (assim como os thrillers de Jaume Collet-Serra atingem outro patamar com a presença de Liam Neeson). Washington continua a divertir com os tiques de McCall dentro e fora da pancadaria, mas não se contenta e torna fascinante cada minuto que tem em tela. O ator inclusive encontra espaço para instantes inesperados de comédia, como na cena em que provoca o vilão na frente de sua família.

Caso O Protetor 3 aconteça – e é provável que sim -, Robert McCall deve se aproximar de heróis de ação atuais como John Wick e Ethan Hunt. Embora não rivalize com as peripécias destes dois últimos, McCall conta com a arma (não tão) secreta que é Denzel Washington. Com seu imenso carisma ao centro, O Protetor 2 certamente vai satisfazer os fãs do longa anterior. Espera-se, no entanto, que ele e Fuqua encontrem uma trama mais interessante da próxima vez.

O Protetor 2
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