Lembram-se daqueles filmes de ação do começo deste século que nunca chegaram aos cinemas, e iam direto para as locadoras de vídeo, geralmente estrelados por atores ligados a este tipo de gênero ou mais especificamente, filmes de luta, como: Steven Seagal, Jean-Claude Van Damme, Dolph Lundgren e Wesley Snipes. Então, a mais nova produção original da Netflix, Close da diretora Vicky Jewson se encaixa perfeitamente neste grupo, pois é um filme de ação que apenas repete elementos vistos a exaustão, e pouco aproveita das boas escolhas de produção que fez, além de falhar em qualquer tentativa de mistério ou drama pessoal, apesar do talento visceral de sua protagonista.

Infelizmente, o novo longa de produção original da Netflix nos apresenta o trabalho de vida de Sam Carlson, uma especialista em proteção pessoal que faz serviços em regiões críticas do mundo, como o Sudão do Sul, protegendo dois jornalistas de um ataque de rebeldes locais. Agora, Sam será requisitada para fazer a vez de guarda-costas de uma jovem milionária que acabou de herdar uma fortuna após o falecimento do pai. Em meio a uma tentativa de sequestro, Sam irá proteger a garota de cair nas mãos de homens perigosos, enquanto ambas lutam para sobreviver.

Há muito pouco a se dizer do longa de Vicky Jewson, ainda uma cineasta iniciante, assim que Close é apenas seu terceiro crédito na carreira atuando na função de diretora. Desta maneira, é até indevido questionar o trabalho de Jewson com veemência, ainda levando em consideração que esta produção Netflix é categoricamente um filme do tipo B, no sentido técnico da palavra, que diz de um produto com baixo custo de orçamento.

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Ao assistir, ficará evidente que Close é um projeto de valor pequeno se comparado com as produções que saem nos cinemas. Todavia, se tem algo que a própria história do cinema sempre mostrou, é que pouco dinheiro no bolso não é sinônimo de um projeto fadado ao fracasso. Muito pelo contrário! Alguns autores de cinema mostraram ampla imaginação ou sensibilidade com “poucos trocados” na carteira, como Robert Rodriguez com os filmes O Mariachi e Um Drink no Inferno, sendo que o primeiro custou apenas pouco mais de duzentos mil dólares, ou Nicolas Winding Refn com os filmes Bronson, também de valores similares ao debute de Rodriguez para as grandes telas, e Drive, que chegou a dar o prêmio de melhor diretor a Winding Refn no Festival de Cannes de 2011.

Conclui-se que, se por um lado existem limitações claras, desta maneira, perdendo algumas possibilidades, é preciso usar de talento e confiança para se elaborar novas ideias ou conceitos que possam suprir o que faltou. É, nesta área que a cineasta Vicky Jewson precisa cuidar mais daqui em diante, pois deixou a peteca cair em Close por todos os ângulos e cantos, à parte a performance fisicamente vigorosa de sua maior estrela, Noomi Rapace.

A atriz de origem sueca que ficou famosa pela versão do mesmo país da série de filmes Millennium, com destaque para Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, que lhe renderam algumas indicações em variadas cerimônias, faz um esforço descomunal para tirar algo de um enredo infestado de lugares-comuns. E, consegue em dois ou três momentos apresentar uma atuação digna em um roteiro de fatores e ações ordinárias.

Também vale destacar a energia de sua parceira de cena durante quase todos os noventa minutos de duração do longa de Jewson. A jovem atriz Sophie Nélisse, conhecida pelo filme A Menina Que Roubava Livros, segura as pontas quando lhe cobram reação, mas deixa a desejar quando a mesma deve ser quem toma a iniciativa nas cenas.

A diretora ainda arrisca dar maior profundidade na relação entre as duas, mas peca neste quesito também, pois se deixar cair em exposições simples, além de não conseguir fugir dos clichês básicos das relações humanas.

Há muito o que melhorar, tanto na parte de roteiro quanto direção, para Vicky Jewson. Até porquê a cineasta inglesa têm apenas 33 anos de idade. Contudo, para evoluir, com pouco ou muito dinheiro, será preciso pensar de maneira mais arrojada e encontrar caminhos que distanciem seu material do trivial. Basta começar pelo entendimento mais básico em narrativas, que diz que ação é personagem, e personagem é ação. Deste modo, assume-se a ideia de que uma boa construção e tratamento, são o mínimo suficiente para elevar o emocional e uma complexidade na história.

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