Mesmo com Toy Story 3 fechando de forma satisfatória e emocionante a jornada de Woody, Buzz Lightyear e seus amigos, a Pixar arriscou trazer mais uma etapa da vida dos brinquedos para o cinema. O que poderia ser um movimento arriscado, na verdade provou mais uma vez que o estúdio não está para brincadeira quando se trata do carro-chefe do estúdio. Toy Story 4 é, provavelmente, a primeira prova de que é possível fazer 4 filmes em uma franquia sem perder a qualidade.

Com o novo cenário proposto após o último longa, seria mais do que fácil trabalhar em uma aventura genérica nos moldes dos filmes anteriores. Ao invés disso, mais uma vez, Toy Story expande seu universo de forma ímpar. Ao mesmo tempo que novas personagens são introduzidas, toda uma nova dinâmica é apresentada na maneira de se explorar as possibilidades de se existir como brinquedo.

As novas adições trazem um frescor interessante para o longa, que acaba deixando de lado muito de suas personagens já consagradas. A exceção acaba por ficar, é claro, como Woody e Buzz, os protagonistas desde o primeiro filme. Mesmo assim, as novas personagens acabam sendo somente passageira, ou ao menos é isso o que pode se imaginar, já que o final da animação abre diversas possibilidades. De fato, não há uma personagem nova recorrente de importância desde o 2º filme, que introduziu Jessie, Bala no Alvo e a Sra. Cabeça de Batata. Mas nem por isso o longa deixa de mudar o cenário da franquia.


Vale destacar que, mesmo funcionando muito bem, é de se imaginar que a franquia poderia começar a explorar brinquedos da nova geração. De fato, isso e algo usado como força motriz d filme original. Contudo, mesmo Buzz Lightyear já é um brinquedo antiquado para essa geração. Ao trazer novos brinquedos, ainda que faça sentido para a trama que eles sejam de gerações passadas, o tempo parece ter ficado parado na questão dos brinquedos, ao mesmo tempo em que temos a introdução de novas tecnologias, como o GPS, como artifício de roteiro.

Se o filme traz diversas novidades, o clima nostálgico e o respeito com o passado da franquia não deixa de existir. Enquanto não há o clima de fim imposto pelo filme anterior, que proporcionava toda uma viagem pelas lembranças das duas primeiras animações, toda a trajetória dos últimos filmes é lembrada de maneira pontual, e devem servir para animar os fãs mais antigos. E apesar das personagens mais antigas não terem, de fato, uma re-apresentação, quem começar a ver a franquia desse ponto não deve de maneira nenhuma ficar perdido no cinema.

Além disso, o final abre um leque de diversas possibilidades, ainda mais contando com a chegada do serviço de streaming próprio da Disney, o Disney+, que já se sabe que englobará projetos da Pixar. Há uma possível despedida no filme, que separa o unido grupo de brinquedos, dando a possibilidade de explorar ao menos duas novas continuações, seja com spin offs no cinema ou mesmo na telinha.

O público deve sair satisfeito mais uma vez do cinema, independente de sua idade. Na era das franquias, que cada vez mais produzem filmes apenas episódicos, Toy Story 4 não só prova que a franquia continua como força total, mas também atua com força própria, mostrando porque é a principal atração da Pixar e que têm folego para continuar por um bom tempo.

Toy Story 4