Se estiverem cansados de tantas comédias, ou rom-coms natalinas lançadas pela Netflix, melhor apertarem os cintos, pois a provedora mundial via streaming passa longe de se cansar e lançar os mesmos filmes, vez após vez, só mudando o elenco e o cenário, mas seguindo a fórmula do filminho básico que pouco, ou nada diz.

Todo mês de novembro é isso! A Netflix prepara filmes natalinos – geralmente no gênero comédia romântica – quase que no modelo fordista de produção. Claro, que existem algumas mínimas diferenças para não dizer que estão dizendo ou fazendo a mesma coisa toda hora.

Mentira, estão sim!


Porém, neste caso, é uma pena que tenha saído mais um produto da mesma forma. Sendo que em O Natal Está no Ar tem um pequeno detalhe que poderia ter feito toda a diferença para o filme: o par romântico, interpretado por Romany Malco e Sonequa Martin-Green.

O longa-metragem dirigido por Leslie Small nos introduz DJ Rush Williams, bem popular radialista de uma estação de Nova York. Viúvo e pai de quatro filhos pequenos, vem tendo dificuldades para educá-los, assim, vive mimando-os com presentes e outras formas de luxo após a perda da mãe. E, bem na época do Natal, ele e sua produtora Roxy Richardson, infelizmente, perdem seus empregos na estação após esta ser vendida para um conglomerado maior. Sua melhor amiga e produtora, com a ajuda financeira de tia Jo, tem a ideia de comprar a antiga estação de rádio onde Rush Williams iniciou sua carreira artística. Para isso, todos da família Williams terão de abraçar um novo estilo de vida mais modesto, sem as pompas que tinham. Tais mudanças farão o pai se aproximar mais de seus filhos, além de abrir seu coração para um novo amor.

Todas as obras natalinas deste fatídico mês de novembro, lamentavelmente, não chegaram aos pés do mais que agradável Crônicas de Natal, lançado no ano passado, pela mesma Netflix. Se o filme estrelado por Kurt Russell – no papel do bom velhinho que vive no Polo Norte – conseguia exalar magia, junto de um toque de modernidade que acabava dando uma modesta repaginada na lenda de São Nicolau; os quatro lançamentos recentes, que são: Resgate do Coração, Deixe a Neve Cair, Um Passado de Presente (o pior dos quatro!), e agora, O Natal Está no Ar fazem apenas o feijão com arroz básico, e pior, a maioria destes se esquece de adicionar qualquer tipo de tempero. Entregando um produto final sem qualquer tipo ou forma de personalidade, ou carisma. E magia? Encanto? Nem pensar! Passam longe.

Neste caso, quem tem tanto direito quanto o assinante Netflix de se lamentar por tais produtos tão secos e insossos, é a dupla de atores composta por Romany Malco e Sonequa Martin-Green.

É palpável notar que o par está muito mais energizado do que o texto de Sean Dwyer e Greg Cope White propõem. Se o roteiro segura, os prende ao chão; suas vontades gritam mais alto, e percebe-se uma paixão extra que traz boas energias a uma história tão batida. Ambos são pura sedução e encanto, não apenas um para com o outro, mas principalmente, a quem assiste na poltrona ou sofá.

Ele, um ator mais conhecido por comédias, como O Virgem de 40 anos (2005) e D.U.F.F. – Você Conhece, Tem ou É (2015), sempre mostrou bom ‘timing’ e malícia neste tipo de gênero cinematográfico, mas aqui Malco faz mais que ser engraçado, na medida que entrega cenas dramáticas pontuais, sem exageros, mas suficientes para compreendermos suas aflições. Chega até a surpreender a cena logo no início após ser mandado embora de seu trabalho.

Agora ela, mais conhecida como Michael Burnham da série Star Trek: Discovery, além de interpretar Sasha Williams em The Walking Dead, mostra ser um poço profundo de sedução. Belíssima e de sorriso atraente, Martin-Green entrega olhares vibrantes que sempre dizem tudo o que você precisa saber daquela cena. Ela facilita muito para o espectador, se comover com um fiapo de enredo.

Se O Natal Está no Ar tivesse se decidido entre ser uma obra que visava comentar parte da cultura negra americana, ou apenas mais um longa protocolar natalino, teria sido de bom grado, já que ao tentar traduzir ambas, falhou duplamente.

Tudo o que restou foi um par de atores apaixonantes, sem qualquer direção.