“Ahhhhh…. AHHHH! Uoou, ah, ah!” Isto poderia ser um erro grosseiro de digitação ou um pedido de socorro, no entanto é apenas um exemplo do que se escuta por boa parte da duração de Os Parças 2, sequência da comédia de sucesso estrelada por Ray Van (Whindersson Nunes), Toin (Tom Cavalcante), Pilôra (Tirullipa) e Romeu (Bruno De Luca), personagens que em conjunto fazem o trio principal de Os 3 Infernais parecer palatável.

O filme de Cris D’Amato, que entregou neste mesmo ano o menos que celebrado Sai de Baixo: O Filme, parece criar cada parte de sua premissa no improviso, tendo início praticamente sem rumo com os parças avacalhando um hotel de luxo até que recebem a notícia de que China, o mafioso que enfureceram durante o primeiro filme, está prestes a sair da prisão por via de um habeas corpus e caçar suas cabeças. Assim, fogem para uma colônia de férias no meio do nada.

Isto é, depois de minutos de uma gritaria incessante, algumas piadas que já surgem moribundas, mais gritaria e uma série de imagens mal-costuradas, a premissa mencionada acima apenas começa a engatinhar. Nunes, Tirullipa e Cavalcante aparentemente não possuem material sequer em mãos, e fazem o pouco que podem com o improviso dentro de quartos de hotel e outras instalações. É quase um alívio quando De Luca surge para interromper esta – falta de – dinâmica.


Passam-se longos minutos até que os parças cheguem à colônia de férias Periquito Feliz… ou Alegre… para – checa anotações rasuradas e levemente psicóticas – trabalhar e conseguir o dinheiro que falta para fugir do país. Não apenas o longa deixa de possuir qualquer força motora que conduza a trama, praticamente esquecendo deste elemento da fuga por quase a metragem toda, como também não existe recompensa ao espectador que aturou aqueles instantes iniciais.

Os parças então passam a repetir o que fazem de melhor e se encarregam de botar (des)ordem no local, que agora acomoda uma trupe de estudantes de ensino médio pouco interessados no que a colônia tem de oferecer. As possibilidades de um choque entre este elenco jovem trabalhando com outro registro, o da comédia romântica adolescente, com o pastelão desordenado dos parças eram muitas, mas nem D’Amato ou o roteiro criam qualquer cenário que entretenha ou se sustente.

Na verdade, a impressão é de que são dois filmes totalmente diferentes colados um em meio ao outro, cujas personagens se invadem conforme for conveniente às etapas da trama e cujas tentativas de criar lições de moral e tensões entre os casais adolescentes constrangem ao ponto de fazer desejar de volta as inúmeras cenas de escatologia que precedem – no caso, uma escatologia que nem mesmo é mostrada em tela, só mencionada.

Como em uma típica comédia deste calibre, tudo parece arquitetado como uma peça de publicidade sem propósito, onde as participações especiais soam mais como masoquismo de quem as realiza – ou, talvez, um excesso de confiança no dinheiro com que são pagos. Os convidados especiais listados não são nem mesmo quem pensamos a julgar pelas divulgações. Falcão, o humorista? Não, trata-se do ex-jogador de futebol. Simone, “então é Natal”? Não, e Simaria não estava disponível.

Ao menos, o show solo de Simone não é apenas uma peça de publicidade. É também uma conveniência para movimentar a trama que se encontrava encalhada na praia do esquecimento pelos oitenta ou noventa minutos que haviam se passado. Assim, os antagonistas – que mal conhecemos – chegam à colônia para que, bom, Os Parças 2 permaneça mais alguns minutos na total morosidade, como seu grupo de protagonistas desordeiros e Bruno De Luca.

Como um possível experimento radical com o tempo cinematográfico que faria Zama parecer uma montanha russa de emoções positivas, Os Parças 2 deixa de ser um filme para se tornar apenas uma questão de espera. O humor não funciona, a trama não possui sentido sequer, os dois elencos não se entrosam, e não há qualquer tipo de invenção com câmera ou montagem. Com isso, o espectador chega ao ponto da abstração, e de repente a sessão já acabou.

Isto não é para dizer que os comediantes ou a equipe em questão não tenham a capacidade de, por ventura, realizar projetos de qualidade. Whindersson tem potencial em sua criação de conteúdo e stand-up, e todos sabemos o quanto Cavalcante já foi capaz na televisão. Porém Os Parças 2 lhes pede o mínimo, assim como entrega o mínimo aos espectadores, que assistem nada mais que uma tentativa de gerar receita sobre os nomes do elenco e a boa vontade do público.