No último dia 15, mesmo sem ainda ficar disponível na Netflix, a série original da provedora mundial via streaming já foi renovada para uma sexta temporada, a estrear em 2020. Algo que propõe cada vez mais um grande desafio, pois séries, geralmente, tendem a deixar a peteca cair pelo meio do caminho, seja na parte de qualidade ou fidelização do público. E, para manter a corrente, é necessário muita inventividade e saber como manter ou até renovar a paixão de quem assiste pela história, e no caso de Grace and Frankie, da vida destas duas fascinantes mulheres, vividas pelas titânides Jane Fonda e Lily Tomlin.

Naturalmente, a Netflix e produtores da série sabem que tem em seu arsenal, duas artistas de maior calibre. Lily Tomlin, é parte da realeza da comédia americana, principalmente da televisão, já Jane Fonda é realeza de praticamente todo o resto. Porém, apostar apenas na sua dupla estelar, sem provê-las de qualquer munição, periga deixar o nível da produção cair, gradativamente. Infelizmente, é o caso desta quinta temporada, que varia entre, mesmo que descompromissados, momentos mais altos e outros bem pouco inspirados.

Nesta quinta parte da série original da Netflix, continuamos a acompanhar as amigas Grace, aposentada que no passado foi uma bem-sucedida empresária na área de cosméticos, e Frankie, uma professora de artes hippie. Ambas, divorciadas de seus maridos, Robert e Sol, que hoje são casados um com o outro. E agora, as duas mulheres que no passado nunca simpatizaram, se vêem forçadas a viver juntas, aprendendo com as dificuldades pelo caminho, e criando um laço de amizade peculiar, mas verdadeiro.


A série de comédia, com leves traços dramáticos, criada por Marta Kauffman e Howard J. Morris, já começa a mostrar mínimos desgastes, especialmente no quesito texto, que apesar de abordar situações empáticas em sua temporada mais recente, ao mesmo tempo, apresenta um enredo mais comum, até previsível em certos momentos. Curioso, que novembro do ano passado, a mesma Netflix disponibilizou outra série, também uma produção original, que navega por temas similares à parte mais recente de Grace and Frankie, no caso, a série O Método Kominsky estrelando outra dupla, Michael Douglas e Alan Arkin.

Esta semelhança não fica apenas no fato de ambas serem protagonizadas por duos de grande peso artístico. Mais, o foco nas várias etapas de ganhos e perdas que nunca cessam nem na fase de senioridade das pessoas, além da importância mor de que nestas transições, a importância de uma amizade sincera e companheira fazem toda a diferença, e auxiliam nos grandes momentos de choque encontrados pela jornada.

Nesta quinta parte de Grace and Frankie existem momentos de altos e baixos. Começa mais morno, e no quarto episódio dá uma esquentada, mesmo que em cima de um material mais clichê, mas aí volta a cair de novo, para no décimo episódio voltar o gás, terminando em uma resolução mais dramática que cômica.

Mesmo em uma trama que laceia todos os episódios em uma linha narrativa linear, uma das maiores qualidades desde o começo desta série original Netflix, é o clima descompromissado que apresenta. Tal atmosfera, já ganha tons marcantes ao vermos nossas protagonistas começarem esta temporada desabrigadas, vagando pelos arredores de sua casa de praia, acompanhadas de uma torradeira, uma panela de fondue e um maçarico, que Frankie usa sempre que pode. E, surpreende positivamente, a breve aparição de RuPaul, drag queen e celebridade televisiva mundialmente famosa pelo mundo, nos dois episódios iniciais da temporada.

O quarto e quinto episódios são aqueles que vão cativar facilmente àqueles que se encontram na chamada terceira idade, pois nestes o foco recai sobra as situações que ocorrem quando a velhice chega, tanto para mulheres quanto homens, e melhor ainda, tem a habilidade de rir de si próprios, sem cair no pejorativo.

Já, no sexto e episódio mais engraçado da série, acompanhamos as amigas indo para um tipo de spa/retiro espiritual, obviamente uma indicação de Frankie. Neste capítulo, encontra-se o ápice do que chamam de comédia de situação, onde colocamos os personagens em situações de embaraço e desconforto, de maneira proposital para criar risos. E, conseguem com efetivo sucesso nesta pequena parte, como na cena onde ambas sentam para almoçar e não conseguem se focar em espiritualizar suas almas naquele ambiente de meditação. Jane Fonda brilha comicamente neste episódio, que apela àqueles que apreciam um humor de rotina.

Logo após este momento de maior alívio cômico, Grace and Frankie, brevemente, descem à ladeira, culminando com o capítulo mais sem graça e esquecível nesta temporada, o nono episódio.

Até os episódios 10 e 11, onde retorna o que já havia sido visto no sexto. Sendo que no décimo primeiro, novamente, vemos Jane Fonda se destacar na área onde Lily Tomlin reinou por toda vida: a comédia.

Algo, de certa maneira inesperado, pois é como se os papéis tivessem sido invertidos, porque também Lily Tomlin surpreende muito positivamente na resolução desta temporada, mas no campo dramático que toma conta do episódio 12 de Grace and Frankie.

Por sorte, a série original da Netflix não se resume apenas em sua dupla de protagonista. Não, também ganham maior destaque seus ex-maridos, Robert e Sol, interpretados de maneira caricatural mas cativante pelos atores Martin Sheen e Sam Waterston, respectivamente. Um casal gay na terceira idade, buscando novas aventuras, na maior parte distantes um do outro, que vive caindo em pequenos conflitos, que levam a brigas exageradas, mas que só indicam o quanto realmente se amam.

No papel de filhos dos ex-casais, apenas uma merece maior destaque que é a atriz June Diane Raphael, definitivamente, a única dos quatro capaz de expressar uma personagem mais humanizada, sem perder o valor de cinismo humorístico de sua personagem, também uma boa construção, levando em consideração que faz Brianna, filha da poderosa Grace.

Certamente, a série Netflix Grace and Frankie ainda conseguirá atrair seu público, pois Jane Fonda e Lily Tomlin fazem suas partes e muito mais! Contudo, fica uma lição para a próxima temporada, de não deixar suas duas grandes estrelas brilharem por conta própria, e achar que isto será o suficiente.