O futuro do DC Universe parece ainda mais promissor depois de um excelente piloto para apresentar (apropriadamente) a Patrulha do Destino, com a trama apostando em uma subversão pouco pretensiosa do gênero de super-heróis na TV.

Diferente do que foi visto no primeiro episódio de Titãs, com sua equivocada abordagem mais carrancuda e soturna, Patrulha do Destino parece estar disposta a ir pelo caminho contrário, exibindo as tragédias de seus personagens com um palatável descaso. A trama acompanhará este grupo de “azarões”, exilados da sociedade por conta de suas deformidades, que foram encontrados pelo doutor Niles Caulder (Timothy Dalton) para tentar obter uma segunda chance em suas novas realidades.

Cliff/Robotman (Brendan Fraser), Rita/Elasti-Girl (April Bowlby), Larry/Negative Man (Matt Bomer) e Crazy Jane (Diane Guerrero) formam este grupo inicial com bons espaços para cada um dos personagens terem os seus momentos de destaque, bem como definirem a sua função dentro do grupo. E embora Cyborg ainda não tenha aparecido, não é díficil imaginar que o personagem vá preencher o papel de “novato” da gangue. Diferentes dos titãs, estes personagens são bem menos descolados e bem mais interessantes de se explorar psicologicamente, o que já traz uma distinção pertinente para o público que tiver considerado a primeira série, genérica ou superficial demais.


O episódio introduz os diferentes protagonistas retratando as horrendas origens de cada um, estabelecendo atmosferas distintas que apresentam um valor de produção visivelmente maior do que vimos na série dos Titãs. Este piloto teve, claramente, uma maior atenção, e uma ambição mais prestigiosa em como produz cada uma destas sequências introdutórias. E uma vez que todos estão juntos (embora não sejam “todos”, ainda), já é perfeitamente possível perceber como a dinâmica entre os personagens manterá a série envolvente, adotando o típico molde de uma “família disfuncional”.

Boa parte do episódio foca na perspectiva de Robotman, em uma decisão acertada do roteiro, que encontra bons caminhos para situar o espectador neste universo. Tal qual o personagem, somos apresentados ao ambiente da mansão que abriga estes pobres desajustados e acompanhamos o processo de adequação pelo qual todos os inquilinos devem passar. Muitos irão comparar a série com as produções sobre os X-Men (nas HQs, então, sempre foi inevitável), mas Patrulha do Destino já consegue se distanciar desta comparação, também, ao adotar um equilíbrio tragicômico em que os mutantes da Marvel não costumam se encaixar.

E para deixar clara a proposta da série, o personagem de Alan Tudyk, Eric Morden, conduz o episódio com sua narração cínica e cretina, alertando o espectador a todo momento de que as mais prováveis expectativas serão quebradas ao longo da trama, e procurando distanciar Patrulha do Destino de outras séries focadas em super-heróis. Esta auto-consciência do cenário do televisivo pode ser o grande trunfo desta nova produção, diversificando o catálogo do DC Universe de forma eficiente e relevante.

E embora a narração se limite a apontar as subversões que a série traz em sua narrativa, é na abordagem estilística e visual que Patrulha do Destino realmente pode se destacar em meio às suas maiores comparações. Seja com caracterizações mais descaradas, ou com efeitos visuais intencionalmente discrepantes, a série parece adotar referências muito mais comuns em típicos filmes B de terror, do que em qualquer grande blockbuster de super-heróis dos tempos atuais.

A sequência em que o grupo de personagens decide se aventurar pela cidade é uma excelente alternativa para a costumeira cena de ação em que os heróis demonstram suas capacidades pela primeira vez, e reafirma esta proposta de manter os personagens como aberrações, muito mais do que como super-heróis propriamente ditos. A aventura descontraída acaba causando um enorme tumulto na pequena cidade, e deixando o Doutor Caulder apreensivo com atenções indesejadas que devem mover a trama do resto desta primeira temporada.

Com um piloto definitivamente eficiente, e um elenco repleto de nomes famosos dando vida à personagens cuja expressão é limitada por suas caracterizações, Patrulha do Destino começa com o pé direito em sua empreitada de expandir o DC Universe, e demonstrar o potencial que a plataforma de streaming da DC possui, quando está disposta a arriscar abordagens menos convencionais. Caso a temporada consiga manter (ou, até mesmo, aumentar) o seu nível de excentricidade, pode ser que Greg Berlanti tenha mais um atraente sucesso em suas mãos.