Depois de um episódio morno e que preocupou-se principalmente em estabelecer peças no tabuleiro, Game of Thrones retorna com… Mais um episódio de tabuleiro. Porém, a grande diferença neste novo episódio da temporada final é o foco em um núcleo mais fechado: a preparação para a batalha de Winterfell, sobressaindo-se principalmente por apostar em momentos de intimidade e descontração entre os personagens.

O episódio, batizado de “A Knight of the Seven Kingdoms”, começa sem perder tempo. Já estamos vendo o recém-chegado Jaime Lannister (Nikolaj Coster Waldau) sendo julgado em Winterfell, com Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) finalmente encarando o assassino de seu pai pela primeira vez. É uma cena bem escrita pelo roteirista Bryan Cogman, que oferece tempo o suficiente para que os personagens passem pela desconfiança, vide Daenerys, Bran (Isaac Hempstead Wright) e Sansa Stark (Sophie Turner) até o ponto em que os defensores de Jaime, Tyrion (Peter Dinklage) e Brienne (Gwendoline Christie) argumentem para os motivos que o cavaleiro renegado seja perdoado. Uma cena bem desenvolvida, direta e com uma direção segura de David Nutter, muito mais inspirado aqui do que no episódio anterior, “Winterfell”.

Jamais deixamos o núcleo de Winterfell aqui, e o texto de Cogman segue essa linha de “agilidade e desenvolvimento” para outros personagens espalhados pela cidade. Jaime e Bran têm um diálogo breve, mas eficiente, onde o Stark caçula o perdoa pelo aleijamento justamente por esse evento ter levado-o a se tornar o Corvo de Três Olhos. Os arcos amorosos entre Verme Cinzento (Jacob Anderson) e Missandei (Nathalie Emmanuel) também progride com naturalidade, de forma a nos fazer importar com estes dois, mas é mesmo Arya (Maisie Williams) e Gendry (Joe Dempsie) quem surpreendem ao ter uma cena surpreendentemente sensual; agregando mais peso a ambos os personagens, e principalmente para a guerreira Stark, que nunca havia tido um arco romântico forte ao longo da série.


Esse padrão também se segue nas duas principais cenas envolvendo Daenerys Targaryen nessa segunda hora da temporada final. A primeira é quando Dany e Sansa ficam a sós para conversar sobre a “inimizade” que ambas parecem sentir durante o primeiro encontro, algo que Nutter enquadra bem ao manter o enquadramento íntimo em sua aproximação das atrizes; enfatizando também que Dany segura a mão de Sansa. À medida em que o diálogo fica mais tenso, e Sansa parece não satisfeita em se curvar à Mãe dos Dragões após o conflito com o Rei da Noite, o plano fechado das mãos das duas corta o diálogo, enfatizando a ação de Dany retirar sua mão da de Sansa – e só através desse gesto e plano fechado, a tensão ao redor da Targaryen está de volta.

A segunda envolve a relação com Jon Snow, que não demora para revelar a real natureza sobre sua linhagem. Estabelecer esse diálogo dentro da cripta dos Starks, diante da estátua de Lyanna, é uma boa decisão de Nutter, e a prosa de Cogman é eficiente ao lidar com a exposição de forma limpa e direta – e também sutil, por parte de Clarke, ao demonstrar que Daenerys agora enxerga a ameaça que Jon lhe representa ao ter um direito superior ao Trono de Ferro.

Mas no que diz respeito a apego e desenvolvimento, o grande ápice de “A Knight of the Seven Kingdoms” encontra-se na cena em que Brienne é coroada Cavaleira por Jaime. É um dos momentos em que Game of Thrones sempre consegue entreter, onde diferentes personagens bebem e conversam antes de algum grande acontecimento – uma cena que remete à tensão antes da batalha em Água Negra, durante a segunda temporada, e cuja a atmosfera é sentida durante toda a projeção do novo episódio.

É justamente pela progressão do diálogo, com Brienne afirmando que não poderia ser um cavaleiro por ser mulher – e com interjeições cômicas de Tormund (Kristofer Hivju), afirmando que “a nomearia cavaleira dez vezes se fosse rei” – que a decisão de Jaime de se levantar e ele mesmo realizar a nomeação, que o impacto é tão forte. É um momento emocionante, que representa a culminação da jornada de dois personagens em uma cena linda: Brienne por toda sua força e determinação, Jaime por evoluir de uma das criaturas mais egoístas e detestáveis para um homem realmente nobre. É uma sequência que só poderia acabar em aplausos, e felizmente Tyrion e os demais personagens na sala representam o espectador ao explodirem em palmas calorosas.

Em seu segundo episódio da temporada final, Game of Thrones foi além de simplesmente estabelecer peças em um tabuleiro e se importou para analisar o que se passa na cabeça de seus jogadores. Foram momentos que transitaram entre o humor, o drama e a emoção genuína, e que certamente prepararam o terreno e nos farão ter mais envolvimento na próxima semana, já que o Rei da Noite e os Caminhantes Brancos estão à porta de Winterfell.