Chega ao fim a mais popular série cômica da televisão americana (talvez, até no mundo). A saga que iniciou com quatro cientistas nerds e sua vizinha, e que ao longo do tempo, expandiu o grupo com a adição de mais duas cientistas, fez de The Big Bang Theory um sucesso arrasa-quarteirão, só que na TV.

Foram 12 temporadas, 279 episódios ao todo, que incluem os dois capítulos finais que foram ao ar na noite de ontem, entregando um encerramento muito similar à própria temporada final, menos engraçada do que já foi, mas definitivamente, genuína e emocional, ainda mais para os fãs que acompanham tudo desde 2007.

No penúltimo episódio, acompanhamos a ansiedade de todos, especialmente Sheldon e Amy, na expectativa da ligação do comitê do Prêmio Nobel. Certamente, o ápice cômico dos capítulos finais ocorre logo no comecinho do episódio 23, marcando a despedida do personagem Barry Kripke, que atazanou Sheldon desde sempre; e uma recompensa emocional (e engraçada) para Leonard, que realizou um desejo reprimido por muitos anos, assim como talvez alguns dos espectadores da série.


Vale exaltar, que além do elenco principal dos sete, algumas participações da série deram um ar da graça final, como Stuart, papel de Kevin Sussman, e Bert, interpretado por Brian Posehn, fazendo o que cada um de seus personagens faz de melhor.

No fim, cada um dos episódios derradeiros teve um tema: primeiro, falando sobre mudanças e transformações, e terminando como uma consagração à amizade, que de tão forte, torna-se família.

Sheldon, como sempre, um cientista brilhante além do imaginável, e entendedor de muitas teorias e ciências exatas, mas que sempre deixa a bola cair quando se trata de relações humanas, e como se comportar e lidar com estas, mais uma vez, melhor dizendo, pela última vez, ganha uma lição de sabedoria de Penny. Algo de grande dignidade dos roteiristas de The Big Bang Theory ao longo destes 12 anos, pois, se há uma personagem desta série que teve uma construção e tratamento que propôs uma mais radical modificação de valores e ações, esta só pode ter sido Penny. E, Kaley Cuoco fez isso, mantendo sua graça, e também, o comportamento irônico e ativo.

Falando em mudança, outra transfiguração interessante ocorrida neste episódio acontece com Amy, que mesmo diante de enorme honraria, ainda sente a insegurança feminina comum à tantas mulheres, e com uma ajudinha de Raj e sua peculiar intuição sensível, a neurocientista Amy, interpretada por Mayim Bialik (também PhD em neurobiologia), fez a vez de Uma Linda Mulher, e alterou seu guarda-roupa e visual nos momentos finais, sem perder o brilho na cabeça, por dentro e por fora.

Chegando na última parte, logo de cara teremos uma surpresa envolvendo um dos casais da trama, que será um catalisador de um mini-conflito. Mas, em uma série de capítulos com duração de pouco mais de vinte minutos, esse conflito se resolve rapidamente. Conflito este que é um repeteco de outras situações acompanhadas por 12 temporadas.

Todavia, apesar de ser um cenário costumeiro à própria série, ele executa sua função definitiva que é elevar o valor da amizade, ainda mais nos momentos onde não é fácil lidar com todos os caprichos das personalidades envolvidas nesta conjunção. Aí entra quem foi a grande estrela, tornando-se um ícone pop da cultura nerd e detentor do bordão onomatopéico ‘bazinga’: Sheldon Cooper.

E, é em seu momento de maior poder, no topo da montanha, onde o cientista sabichão que sempre se acha mais que os outros, mostra uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter durante o curso da vida que é a humildade.

Sheldon, uma pessoa que é detentora de grande sabedoria teórica e de conhecimento, mas que assim como cada de um de nós, é também um ser vivo em evolução constante. Claro, que nem sempre o próprio possui as ferramentas sociológicas necessárias para reconhecer o que pensa e diz, ainda assim, ele possui dois fatores fundamentais para a evolução humana, que são: consciência e amigos.

Assim, é o ponto final de uma série que fez rir, e emocionar em alguns momentos, principalmente nesta temporada. Uma ode de amor e representatividade aos nerds e geeks; aos cientistas; e a tudo dentro do ciclo vital que é capaz de se adaptar e evoluir.