O “arrowverse” da CW cresce um pouco mais com a adição de Batwoman, mas ainda precisaremos de mais alguns episódios até podermos dizer se a nova série também representa um amadurecimento para este ambicioso universo televisivo. 

Quando Arrow estreou em 2012, a série sobre um vigilante sem poderes (mas com recursos de sobra) que decide proteger sua cidade causando medo nos criminosos da noite, pegou emprestado diversos elementos e características das histórias do Batman e sua Gotham City. A abordagem era compreensível, afinal, o universo do homem-morcego se adequava muito bem ao que os roteiristas estavam tentando construir com o Arqueiro Verde da CW, e além disso, qualquer chance de produzir uma série do Batman propriamente dita, sem dançar em volta do personagem, era claramente um sonho remoto. 

Mas eis que, sete anos depois, os produtores deste universo decidiram que havia uma saída interessante para abordar Gotham e todas as suas excentricidades, sem necessariamente colocar Bruce Wayne na capa da série (e atormentar os executivos da Warner que tanto se apoiam no personagem). Ruby Rose assume o manto como Batwoman, e este primeiro episódio exibe o potencial da personagem, ainda que não consiga (em apenas quarenta minutos) distinguir a série o suficiente do modelo que deu início à este universo compartilhado. 


Felizmente, Batwoman parece ter uma protagonista cativante o suficiente para carregar a própria série, com uma personalidade capaz de contrastar bem com seus colegas principais da CW. O encontro de Kate e Kara em “Elseworlds” foi apenas uma breve amostra do que podemos esperar dos próximos crossovers, e pessoalmente, uma das coisas que mais me anima com a entrada de Batwoman neste universo, é o potencial revigorante que a personagem trará para esta abrangente dinâmica super-heroiesca. 

Mas enquanto os crossovers não chegam, será que a nova série terá fôlego e a inventividade necessária para se manter engajante por si só? Meu receio é que Batwoman caia no conforto da mesma fórmula que sustentou Arrow, Flash e Supergirl por tanto tempo: O herói com sua equipe no fundo (essenciais incluem um especialista em tecnologia e um parceiro ocasional para confrontos físicos), grandes vilões que geram tramas suficientes para uns bons dez episódios procedurais ou mais, e em meio às sequências com roupas coloridas e efeitos especiais, alguns momentos de drama pessoal com um interesse amoroso para o protagonista (que serão arrastados até o público dizer “chega!” e implorar por resolução). 

Vendo este primeiro episódio, a nova série já parece conter todos os ingredientes para formar esta dinâmica sem o menor problema. Luke Fox (Camrus Johnson) (filho do Fox mais famoso que cede brinquedos para o Batman) ficará com a posição de especialista em tecnologia, obviamente. A presença deste arquétipo é praticamente impossível de se deixar de lado em qualquer uma dessas séries, uma vez um personagem como Luke sempre ficará responsável por trazer novas armas ou idéias milagrosas que salvarão o dia quanto toda a criatividade já tiver se esgotado. 

Enquanto isso, sobre os parceiros de briga, Kate ainda deve encontrar mais alguns personagens que possam preencher estas vagas, mas Sophie (Meagan Tandy) já deve servir para preencher algumas cenas de ação, quando não estiver tendo as típicas discussões de relacionamento com Kate que devem durar, pelo menos, esta primeira temporada inteira. O romance das personagens já começa com mais obstáculos do que vimos nas outras séries, mas vai precisar de algumas reviravoltas interessantes para conseguir prender a atenção do espectador que já estiver desgastado com este típico elemento da TV aberta americana. 

Mas o real potencial de Batwoman está em sua construção de Gotham, e dos vilões que irão confrontar Ruby Rose dentro de seu (meio que) familiar bat-traje. A atenção aqui deve se voltar para o que torna Gotham, uma cidade única dentro das HQs e afins, algo que foi (diga-se de passagem) muito bem explorado pelo recente filme do “Coringa”: Gotham é um canto do inferno lotado com as piores representações de uma cidade moderna. E se a série souber trabalhar bem este aspecto do cenário, já estará fazendo um trabalho competente em distinguir a nova série de Arrow, e sua Star City. 

Alice ficará com o papel de grande vilã pelos próximos tempos, e contanto que não acabem as referências e citações de “Alice no País das Maravilhas”, a antagonista pode trazer a medida certa de excentricidade que precisamos para continuar acompanhar a jornada de Batwoman, até que a personagem chegue no ponto em que a vimos durante o último grande crossover. Todas as peças estão bem colocadas para produzir uma substituta eficiente para quando Oliver Queen finalmente aposentar suas flechas dentro da CW. Mas com um pouco mais de distinção, a série poderia se tornar bem mais do que uma mera substituta.