Advogados do espólio de Michael Jackson recentemente forneceram à Billboard um documento de 24 páginas em que apontam inconsistências no documentário Deixando Neverland, que reúne acusações de pedofilia contra o falecido cantor.

O documento, que não pode ser publicado na íntegra, detalha o que o espólio de Jackson chama de “dezenas de exemplos de preconceito, incoerência e cenas retiradas de contexto”.

No documentário, por exemplo, Wade Robson, um dos acusadores, diz que Michael Jackson o convidou para dormir em sua cama, mas “em seu depoimento sob juramento”, afirma o documento, “ele deixa claro que ele e sua irmã foram quem deram a ideia, e que Michael insistiu que eles perguntassem a seus pais se podiam”.


Segundo o documento, o documentário retrata Jackson desejando a Robson um feliz aniversário em um vídeo “de maneira propositalmente arrepiante e predatória”, quando na verdade ele gravou centenas de outras saudações em vídeos semelhantes na mesma época.

Os advogados também lembram que Robson tentou encontrar trabalho no Cirque du Soleil com um show de homenagem a Michael Jackson depois de sua morte, algo que o documentário não aborda. Além disso, o clipe de 2005 mostrado em Deixando Neverland, em que o ex-advogado de defesa de Jackson, Mark Geragos, parece estar ameaçando um acusador, teria sido retirado de uma conferência imprensa relacionada a um litígio envolvendo uma empresa de jatos fretados, sem nenhuma relação com o julgamento do cantor.

“As citações são retiradas de contexto e nenhum esforço foi feito para esclarecê-las”, observa o espólio de Michael Jackson.

Um representante contou que o mesmo documento apontando as inconsistências de Deixando Neverland foram apresentados para vários veículos de mídia dos Estados Unidos, mas poucos expressaram interesse em reportá-lo.

“Muitas destas informações estão disponíveis na internet, e enviamos várias cópias do documento para a mídia, mas ninguém se interessou em reportar ou mesmo ir mais fundo do que o documentário”, disse o representante à Billboard.

Um dos advogados relembra o julgamento de Michael Jackson anos atrás, em que “o mundo inteiro estava condenando-o e ninguém pensou que pudéssemos ter um julgamento justo”. Na ocasião, o juiz declarou Jackson inocente de todas as acusações que foram feitas.

Os advogados continuam apontando mais possíveis incoerências: Robson diz em Deixando Neverland que, um dia antes de testemunhar durante o julgamento de 2005, Michael Jackson parecia muito chateado em um jantar. Mas outros presentes disseram que o jantar, na verdade, aconteceu após o depoimento.

“A história é toda inventada”, comentou Jonathan Steinsapir, um dos advogados. Seu parceiro, Howard Weitzman, adicionou: “É difícil de dizer qual será o impacto do documentário. O que está claro é que as pessoas estão tirando conclusões sem conhecer todos os fatos. Elas dependem de um documentário que sabemos que não é completamente preciso.”

Vince Finaldi, advogado de ambos os acusadores de Michael Jackson, reconhece que alguns detalhes podem estar imprecisos, mas diz que isso é normal: “Eles podem tentar entender pequenas coisas, como estar sentado do lado direito ou esquerdo do carro. Se entende a mecânica do abuso sexual, sabe que as crianças não se lembram de detalhes pouco importantes, mas têm uma memória vívida do que aconteceu com elas.”

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O documentário conta a seguinte história: “No auge de seu estrelato, Michael Jackson começou relacionamentos duradouros com dois garotos de 7 e 10 anos e suas famílias. Agora com 30 anos, eles contam a história de como foram abusados ​​sexualmente por Jackson e como chegaram a um acordo para ficarem calados anos depois.”

Ações judiciais movidas por Robson e Safechuck contra Jackson foram rejeitadas por um juiz em Los Angeles em 2017.