Faleceu neste sábado (15), na cidade de São Paulo, aos 67 anos, o jornalista, escritor, radialista e crítico de cinema Vicente Adorno, de ataque cardíaco fulminante.

Vicente nasceu em 22 de setembro de 1947, em Descalvado, no interior do estado de São Paulo. Estudou na Faculdade de Jornalismo Casper Líbero, Faculdade de Comunicação Social Casper Líbero e na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Trabalhou por muitos anos na Rádio e Televisão Cultura onde, entre outras funções, foi editor de internacional do Jornal da Cultura. Publicou o livro Tietê, Uma Promessa de Futuro Para as Águas do Passado. Tinha entre seus filmes favoritos Amarcord, Cantando na Chuva, Os Sete Samurais e todos os filmes de Billy Wilder e Alfred Hitchcock.

Conheci Vicente Adorno há cerca de 20 dias, quando fui fazer uma cabine (exibição de filmes para críticos de cinema) do filme francês Sexo, Amor e Terapia (cuja crítica será, brevemente, publicada aqui no Observatório do Cinema). Após a cabine, nos apresentamos e conversamos enquanto caminhávamos até a estação do metrô. Falamos sobre os filmes, claro, mas também sobre a situação atual do país (ele achava que, por não haver provas de corrupção até o momento, não há cabimento em pedir impeachment da presidenta Dilma Rousseff); da TV Cultura, onde trabalhou muitos anos, e que, agora, está ameaçada de fechar pelo governo de Geraldo Alckmin. Dava para perceber o quanto era culto e mostrou-se uma pessoa bastante agradável, com quem era gostoso conversar. Disse-me que pretendia reativar um blog onde escrevia sobre cultura em geral e visitar sua filha, que vive na Europa. Ao chegar na sua estação de destino, despediu-se e disse “até a próxima”.

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Naquela ocasião fiquei muito feliz em conhecê-lo e ainda sinto-me assim. É uma pena que tenha sido apenas uma vez, mas é daqueles encontros que marcam uma vida inteira. Descanse em paz, Vicente.