O cinema eslovaco vai descobrir os espectadores brasileiros e vice versa. Plateias em cinco cidades do Brasil têm a primeira oportunidade de ver com os próprios olhos a historia e o presente da cinematografia eslovaca e também encontrar alguns dos seus cineastas.

A mostra Slovak Visual – Mostra do Cinema Eslovaco é organizada pela distribuidora Filmtopia em colaboração com a embaixada da Republica Eslovaca no Brasil e do Instituto do filme Eslovaco, que cedeu cinco filmes longa-metragem de seus arquivos.

A mostra que agora chega à São Paulo, na Unibes Cultural, nos dias 1º e 2 de novembro, passou pelo Rio de Janeiro (de 7 a 9/10), Brasília, (de 12 a 14/10), Florianópolis (de 21 a 23/10) e Porto Alegre (de 27 a 30/10). O diretor e também produtor Peter Kerekes esteve no Brasil na abertura da mostra no Rio de Janeiro para apresentar seu filme “66 Temporadas” e recebeu o público depois da projeção para um debate.


O foco dos organizadores é apresentar aos espectadores brasileiros os princípios básicos e a individualidade da cinematografia eslovaca, que é completamente desconhecida nesta parte do mundo. Em forma de mostra itinerante, a programação consiste de cinco filmes longa-metragem de arquivo, cinco filmes longa-metragem contemporâneos e dez filmes curta-metragem.

A programação da mostra é dividida em duas partes. Primeiro a apresentação da época da nova onda tchecoslovaca e segundo a apresentação da cinematografia contemporânea.

A ideia dessa escolha é mostrar aos espectadores antes a época mais importante da filmografia eslovaca e os títulos contemporâneos mais interessantes, como uma evidência de continuidade da tradição cinematográfica baseada em autenticidade e intimidade, derrubando as fronteiras entre ficção e documentário; com humor de inspiração folclórica, mas também com influência das principais culturas cinematográficas europeias e de vanguarda como, por exemplo, a Nouvelle Vague francesa.

“Esta escolha dos filmes quer apresentar aos espectadores tanto a primeira etapa mais importante na história do nosso cinema, como em seguida, títulos interessantes como prova da continuidade dos filmes tradicionalmente construída na autenticidade, rompendo as fronteiras entre ficção e documentários”, diz o Embaixador da República Eslovaca no Brasil, Milan Cigan.

Além de seguir o critério da estética e da atitude dos autores, que permanecem desde a época mais famosa desta cinematografia até o renascimento contemporâneo, os organizadores levaram em conta outros fatores. Conscientes do que estão trazendo para os espectadores, que na maioria das vezes nunca entrou em contato com os filmes eslovacos, nem com sua cultura, não apresentariam apenas um tipo estético. Por isso, os organizadores decidiram oferecer aos cinéfilos brasileiros o melhor da historia e também o presente mais diversificado da produção eslovaca, que oferece não só longas, mas também curtas-metragens; não só dramas, mas também comédias e suspense. Todos os filmes serão apresentados na língua original com legendas em português.

Slovak Visual – Mostra do Cinema Eslovaco

1º e 2 de novembro, das 14h às 22h

ENTRADA GRATUITA – inscrições pelo e-mail: inscrições@unibescultural.org.br

1º/11, a partir das 14h, em sessões contínuas

Teatro

Filmes curta-metragem de arquivo:

O Pequeno Polegar e os bacilos (Janko Hraško a bacily, Viktor Kubal, 1974, 7 min.)

Sinopse: O Pequeno Polegar salva a população do bacilo da gripe

Contatos (Kontaktyi, Jaroslava Havettová, 1908, 12 min.)

Sinopse: Sobre as fraquezas das pessoas, interesses e paixões, através do relacionamento entre as coisas.

O Guarda-chuva (Dáždnik, Ondrej Slivka, 1984, 5 min.)

Sinopse: Sobre um inventor que pretende patentear sua invenção.

Cocoricó (Ki-ki-ri-kí, František Jurišič, 1985, 8 min.)

Sinopse: Comédia de marionetes sobre o dorminhoco que perturba o incansável galo.

O bebê no banco (Bábätko v banke ,Vladimír Malík, 1988, 6 min.)

Sinopse: Aventuras de um bebê em um banco.

1º/11, a partir das 15h

Teatro

Filmes longa-metragem de arquivo:

15h: Até que esta noite se acabe (Kým sa skončí táto noc, Peter Solan, 1965, 91 min.)

Sinopse: Pessoas comuns passam uma noite fria de inverno em uma boate chique de uma cidade estância de esqui. Entre eles, dois rapazes conhecem duas mulheres jovens.

17h: Celebração no Jardim Botânico (Slávnosť v botanickej záhrade, Elo Havetta, 1969, 83 min.)

Sinopse: Estreia do talentoso e prematuramente falecido diretor Havetta inspirada pela pintura naive, o impressionismo francês e os clowns, combinados às tradições do povo do oeste elovaco.

19h: Pássaros, órfãos e loucos (Vtáčkovia, siroty a blázni, Juraj Jakubisko, 1969, 82 min.)

Sinopse: Filme sobre três pessoas que ficam órfãs pela violência política. Situado em um tempo e local não especificados, é uma parábola sobre estas pessoas que enfrentam um mundo violento, resistente e sobrevivem adotando uma filosofia infantil de vida e vivem uma vida de tola e alegre negação. O filme foi lançado em 1969 e foi exibido no festival internacional de cinema em Sorrento, Itália. Logo depois foi proibido pelo regime soviético até o final de 1989.

20h30: Retratos do mundo antigo (Obrazy starého sveta, Dušan Hanák, 1972, 70 min.)

Sinopse: Considerado pela crítica como o melhor filme eslovaco de todos os tempos. Inspirado pelas fotografias do artista eslovaco Martin Martincek (1913-2004), cujas fotos destilam vidas inteiras em imagens luminosas e austeras, Hanák cria suas próprias impressões sobre o trabalho do fotógrafo, refletidas numa miríade de histórias humanas. Em desacordo com a propaganda comunista da época, as autoridades retiraram o filme foi proibido e permaneceu banido por muitos anos. O filme de Hanák, no entanto, não é político ou polêmico, mas explora níveis muito mais fundamentais da experiência humana. Seu poder e belezas encontram um retrato de um povo deixado para trás pelo mundo moderno. Um filme singular e surpreendente.

02/11, a partir das 14h, em sessões contínuas

Teatro

Filmes curta-metragem contemporâneos:

Arsy versy (Arsy versy, Miro Remo, 2009, 23 min.)

Sinopse: Filme sobre uma mãe e seu filho Lubos, que conquistam o mundo de cabeça pra baixo. O filme estudantil mais premiado do cinema eslovaco.

Panda (Pandy, Matúš Vizár, 2012, 12 min.)

Sinopse: Depois de milhões de gerações os pandas correm o risco de se tornar mais uma espécie extinta. Mas um dia, um primata muito ativo chamado ser humano os encontra e os transforma em peões no jogo do homem.

Gêmeos (Twin, Peter Budinský, 2011, 6 min.)

Sinopse: A história é sobre gêmeos siameses que lutam entre si dentro, mas também fora, do ringue de boxe. Por causa de sua deficiência, eles têm que compartilhar vidas profissionais e privadas, mas cada um vê as coisas de uma perspectiva diferente. Gêmeos é um filme de animação sobre o amor fraterno e seus limites.

Na fila (V rade, Kamila Kučíková, 2014, 4 min.)

Para alguns a espera na fila é uma coisa agradável, para a maioria não. Qualquer coisa pode acontecer em um período de tempo de uma fila.

25km2 (25km2, Janka Mináriková, 2011, 13 min.)

Um alquimista baseia-se no poder do raio para criar esplêndidas joias. Documentário- experimental filmado em película de 8mm.

02/11

Teatro

Filmes longa-metragem contemporâneos:

15h: Feito em Aš (Až do mesta Aš, Iveta Grófová, 2012, 82 min.)

Sinopse: Depois de terminar o segundo grau, Dorotka deixa a Eslováquia para encontrar trabalho na cidade fronteiriça checa de Aš. Ao chegar, ela é imediatamente confrontada com um mundo de costureiras cansadas, todas aguardando a chegada de seus príncipes alemães. O filme retrata autenticamente o ambiente mundano do qual Dorotka rapidamente se torna parte e reflete também os motivos das meninas ao tomar decisões duras que alteram a vida, o que pode parecer imoral, quando vistos superficialmente.

16h30: 66 Temporadas (66 sezón, Peter Kerekes, 2003, 86 min.)

Sinopse: Um documento sobre uma piscina na cidade de Kosice, o lugar onde, de acordo com o cineasta, “a história costumava ir à casa de banho”. Através de histórias que aconteceram na piscina entre 1936 e 2003, o filme capta os 66 anos do popular local, bem como os mesmos anos da história da Europa Central e Oriental. O mosaico das histórias individuais reconstrói a história. A vida das pessoas é mostrada no fundo da história. A vida das pessoas faz a história.

18h: O Limpador (Čistič , Peter Bebjak, 2015, 90 min.)

Sinopse: A história gira em torno de Tomás, cuja vida solitária consiste em monotonamente repetir a mesma rotina. Um funcionário do serviço funerário, o seu trabalho é limpar cenas de morte ou lugares onde as pessoas e seus animais de estimação faleceram. Esse estereótipo de repente para quando as circunstâncias o forçam a se esconder em uma das casas que ele limpou. Tomás desenvolve o hábito de ficar nas casas de seus clientes, secretamente espionando as vidas das vítimas por dentro. Este passatempo bizarro lentamente se transforma em obsessão. A situação sai de controle quando ele se apaixona por um dos observados, decide desvendar o segredo escondido na casa de seu amor recém-encontrado e seu irmão mais velho suspeita. O mais recente filme do célebre diretor eslovaco Peter Bebjak explora problemas na comunicação humana, mostrando como podemos ser fortemente afetados por eventos da infância e quão difícil pode ser superá-los.