Vinte e cinco anos atrás, Henry Selick trazia aos cinemas uma das animações mais relembradas de todos os tempos: O Estranho Mundo de Jack, baseado na história original de Tim Burton, que logo depois se tornaria um dos cineastas mais originais da sétima arte (mesmo com alguns deslizes aqui e ali).

À época de seu lançamento, era incerto se a investida tenebrosa envolvendo Jack e Sally faria sucesso. Porém, apenas em sua estreia, arrecadou cinquenta milhões de dólares e conquistou inúmeros fãs, além de ser eternizado até os dias de hoje. Entretanto, Selick declarou, em entrevista ao The Hollywood Reporter, que sua equipe enfrentou um complexo obstáculo quando as filmagens começaram: não havia roteiro.

“Tivemos que começar a produção sem um roteiro, o que é insano”, ele disse. “Não sabíamos o que estávamos fazendo, mas tínhamos uma confiança inabalável e muita diversão”.


Guiado pela produção geniosa e louca de Burton e do compositor Danny Elfman, Selick conseguiu criar uma experiência fílmica única em stop-motion. E agora, ele também revelou que foi obrigado a cortar uma das sequências criadas por seu colaborador.

“Há uma cena – e eu me arrependo amargamente de tê-la substituído – no final do filme onde Jack volta e Sandy Claws voa por cima da cidade, há neve e o Natal finalmente chega para a Cidade do Halloween. Mostramos vários dos habitantes aproveitando o momento, vampiros jogando hóquei e, para completar, um deles acerta o disco na câmera – e essa foi uma ideia original de Tim Burton”, declarou. “E foi realmente muito engraçado”.

Selick disse que, apesar disso, a produtora Denise Di Novi falou a ele para retirar a sequência. “Nós refilmamos com uma abóbora no lugar. Não sei se o corte ainda existe, mas adoraria colocá-lo onde realmente pertence”.

O Estranho Mundo de Jack estreou em 1991 e trouxe Elfman dublando o personagem-título, além de Catherine O’Hara como seu par romântico, Sally. O longa foi indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Especiais, perdendo para Jurassic Park – O Mundo dos Dinossauros.