Comemorado anualmente todo 08 de março, o Dia Internacional da Mulher é uma data a ser celebrada, como também é uma data para que haja conscientização contra o preconceito diário que as mulheres sofrem.

Por diversos problemas sociais, a mulher também sofre uma espécie de preconceito representado no audiovisual, onde somente de uns anos para cá, elas estão conseguindo ter mais espaço, não somente existindo personagens femininas interessantes e relevantes, como também estão produzindo projetos de grande alcance.

Esse fato recente precisa ser continuado e valorizado, então listamos 10 obras audiovisuais, 5 séries e 5 filmes em que as mulheres não são somente protagonistas, como também possuem sua devida relevância e representatividade, por conta da própria linguagem narrativa ou pela condução da pauta.

Confira a lista.

SÉRIES

5 – AS TELEFONISTAS

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Até então desconhecida e escondida no catálogo da Netflix, a série espanhola As Telefonistas começou a ser mais debatida recentemente por conta de seu quarteto de protagonistas fortes inseridas dentro de um contexto social e político.

Ambientada na década de 20 na Espanha, as quatro trabalham em uma empresa de telefonia e cada uma delas enfrenta suas opressões, seja pelo machismo do marido adúltero, seja pela parte da família rica que desconsidera a mais pobre pertencente ao nome. A série busca mostrar não somente estas dificuldades contextuais, mas também, em como elas percebem isso e conseguem reverter o jogo e lutar contra a opressão, através de diversas lutas feministas da época. Outros elementos importantes da produção que são abordadas é o aborto, a homossexualidade e o direito ao voto das mulheres.

4 – THE CROWN

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Produção original da Netflix, The Crown narra a história biográfica da Rainha Elizabeth II durante o começo de seu reinado no começo da Inglaterra. Uma das produções melhor elogiadas dos tempos recentes, a série consegue contextualizar toda uma personagem forte e inteligente, mas que sofreu por conta de ser uma mulher na liderança de um país, levantando suspeitas sobre sua força no comando. O machismo “real”, além da especulação midiática promovida pelos tabloides dão à rainha Elizabeth, interpretada de maneira brilhante por Claire Foy nas duas primeiras temporadas uma história de empatia e consideração a tudo que sofreu, principalmente casos de infidelidade, que chegaram a custar um pouco o reinado da rainha. Na continuidade das próximas temporadas, uma nova atriz interpretará Elizabeth mais velha, a colocando mais experiente e pronta para enfrentar qualquer problema e desafio que esteja ligado à figura histórica de uma das mulheres mais importantes do século XXI.

3 – SCANDAL

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Trazendo consigo uma das protagonistas mais bem construídas narrativamente da televisão, Scandal é um drama político que coloca a personagem de Kerry Washington em diversos pontos problemáticos da Casa Branca, mas sem também antes lidar com os problemas que a sociedade impõe a si, como mulher e também como mulher negra. Os desafios sociais enfrentados por ela, como o machismo – dentro de um segmento político -, e o racismo. As dúvidas que cercam Olivia Pope pelo fato de comandar uma agência de soluções de crise empresarias são extremamente pontuadas em vários momentos por causa dessas questões, colocadas em cheque pela mesma Olivia, que as desafia sem pudor, se mostrando uma personagem cativante, forte e destemida, sem precisar recorrer a nada para enfrentar o que já está institucionalizado e enraizado na sociedade. O fator de contexto político dentro da série também trazem questões sobre a visibilidade das mulheres dentro dos campos legislativos e judiciários no sistema politico americano.

2 – THE HANDMAID’S TALE

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Talvez a série mais repercutida de 2017, The Handmaid’s Tale, baseado no livro homônimo de Margaret Atwood, conseguiu criar um cenário aterrorizante para as mulheres e o que mais é impressionante e assustador nisso é que na vida real, as mulheres passam por diversos problemas, opressões e preconceituosos semelhantes à da produção da Hulu. Ambientado em uma distopia, onde as taxas de fertilidade caíram e diversas doenças sexualmente transmissíveis foram acontecendo na sociedade, uma proto-religião fanática comanda a cidade de Gilleade, que através de suas leis, subjuga as mulheres e as colocam em condições de controle total, as impedindo de terem condições básicas, como terem dinheiro e propriedades e até mesmo lerem, as condicionando a um status totalmente marginalizado e à par de tudo, sob uma condição fanática e manipuladora. As mulheres dessa sociedade fazem parte de uma espécie de ritual, onde as que possuem mais chances de fertilização são ordenadas à elite governante, para serem abusadas, violentadas e estupradas.

Poderosa e impressionantemente real, The Handmaid’s Tale traz uma observação contundente sobre os diversos problemas que as mulheres passaram e passam ao longo de sua vida, aproveitando também de um subterfúgio religioso, fazendo alusões às antigas leituras e interpretações bíblicas, onde as mulheres também eram subjugadas e consideradas receptáculos para demônios, sendo condenadas à fogueira (caça às bruxas, em literal interpretação). Não só sobre todos os problemas, as mulheres personagens são responsáveis por conduzirem a narrativa sobre tudo que está sujeito dentro dessa sociedade.

1 – JESSICA JONES

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Em uma ótima campanha de marketing, a Netflix decidiu disponibilizar a segunda temporada da heroína da Marvel na próxima quinta (08), Dia Internacional da Mulher. E apesar dos problemas narrativos e construções dos vilões e de como eles interagem com Jessica, é uma personagem extremamente original e independente, com autonomia e consideração própria. É a partir dela que se lê toda a criminalidade e a questão social dos bairros pobres, além claro, de conseguir aludir seus poderes com uma espécie de observação anomalística que a sociedade como um todo faz com as diferenças que as mulheres apresentam. Além é claro, de dar representatividade ao ser a primeira série da Marvel a dar a uma personagem o protagonismo. Jessica Jones não é só uma heroína forte, com elementos de girl power e conduzindo sua força física para os desafios mundanos. Ela também enfrenta a dominação que os homens tentam impugnar sobre ela. Como já foi dito, apesar do principal vilão da primeira temporada, Kilgrave, ter tido uma relação até mesmo considerada romantizada, o foco dos episódios era mostrar como ela conseguia ter forças para sair da manipulação e controle do antagonista.

FILMES

5 – AS PEQUENAS MARGARIDAS

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O menos conhecido mas não menos importante, o filme foi revolucionário politicamente por conseguir fazer um manifesto contra o machismo social e por mostrar duas personagens extremamente fortes e não-convencionais, dentro de uma narrativa incomum. Considerado um marco do cinema político dos anos 60, As Pequenas Margaridas faz um recorte pontual sobre a opressão que as mulheres sofriam na época cada vez mais que a industrialização avançava no mundo e principalmente, no leste europeu. Filmado por uma mulher, o longa é considerado uma força de luta. São duas mulheres que se veem comuns, ordinárias àquele sistema e situação. Então, decidem não mais se importarem com ele, partindo em busca de uma nova forma de desconstruir o que lhe és imposto e forçado. Um roteiro ácido e criativo, coloca de uma forma inovadora para a época, tudo que dizia respeito às sociedades que, apesar de estarem em plena evolução tecnológica e industrial, ainda tinha em suas morais e códigos sociais, preconceitos e inibições às mulheres.

4 – THELMA & LOUISE

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Filmado por Ridley Scott e lançado em 1991, o longa-metragem contava com duas atrizes recém colocadas em status de fama, como Geena Davis e Susan Sarandon, que decidem viajar pela estrada após descontentamentos e insatisfações com a vida. A partir disso, sua relação é construída a partir de elementos que fomentam não só uma amizade, mas um companheirismo e empatia que formam a principal defesa e ataque contra diversas situações que as colocam em risco, principalmente após assassinarem um homem que as queriam estuprar dentro de um bar. Dentro desta obra, é peculiar não somente a forma com que a relação das duas é mostrada e fortalecida pelos momentos chaves do roteiro, mas também intensifica autonomia e um cerne independente às duas, que montam não só um filme de estrada, com experiências a serem tomadas e absorvidas. Mas também, Thelma & Louise constituem em uma quebra de diversas expectativas e pré-conceitos estabelecidos até mesmo pelo cinema da época. Vale citar que o roteiro do filme é de uma mulher, Callie Khouri. Então, ao invés de fazerem mais um filme de amizade entre homens ou entre homem e mulher – o que necessariamente é feito sob um olhar romantizado -, a decisão de escolher duas mulheres como protagonistas de suas próprias estórias foi acertada em níveis que repercutem até hoje.

3 – HISTÓRIAS CRUZADAS

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Focalizado dentro racista Estados Unidos da década de 60, uma jornalista branca entrevista as mulheres negras que, por conta da legislação vigente, tem que trabalhar para a elite branca – no qual a jornalista faz parte -, para educar seus filhos e cuidar de tarefas diárias da casa. Por conta desse recorte, o filme já valeria seu sentido, mas quando inicia as histórias das mulheres negras, principalmente na personagem interpretada por Octavia Spencer, que luta de diversas formas para sair do racismo enraizado, dá um foco muito mais interessante às interessantes personagens coadjuvantes, que também possuem sua relevância. Apesar de possuir um certo desvio de protagonismo, chegando até a colocar toda as histórias e entrevistas das mulheres negras como sendo importantes somente se a jornalista branca decidir publicá-las, o filme constrói um paradoxo entre essa relação das mulheres de diferentes etnias e castas e as colocando, em certos aspectos, dentro de um mesmo sentido.

2 – LADY BIRD: É HORA DE VOAR

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Recém-indicado ao Oscar de Melhor Atriz para Saorsie Ronan, Lady Bird traz uma adolescente que coloca em questão toda a sua percepção do mundo e suas visões do futuro. Localizado dentro do subgênero chamado de coming of age (amadurecimento), o filme dirigido pela estreante e nova Greta Gerwig, eis um recorte e uma observação muito bem articulada sobre a perspectiva da jovem mulher que apesar de uma relação complicada com sua mãe e questões ainda mais difíceis sobre sua sexualidade e objetivos da vida, ela permanece sendo um filme em que uma garota levanta enorme empatia e comoção, apresentando em muitos casos, dada as devidas diferenças, uma relação com outras mulheres que passam por situações semelhantes.

1 – MULHER-MARAVILHA

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O principal filme da DC por inúmeras razões. Por ser o primeiro a apresentar uma heroína que já era conhecida, mas não que tinha o devido protagonismo. Conseguiu colocar dentro dela, uma atriz que transmitiu toda a força e o espírito de heroísmo que os braceletes douradas e o laço mágico carrega. Gal Gadot e Patty Jenkins fizeram uma parceria que conseguiu resinificar tudo que uma personagem feminina forte e independente consegue transmitir. O efeito positivo não aconteceu somente para os fãs dedicados das histórias em quadrinhos ou da DC, como também aproximou a história da guerreira amazona para com um público mais novo, jovem, infantil principalmente. Sua relevância foi importante para que diversas jovens garotas conseguissem se sentir contempladas por uma heroína extremamente poderosa e auto-suficiente. O nome Mulher-Maravilha ganhou um poder impressionante com essa revitalização, dentro do projeto melhor arquitetado pela DC. Com certeza, as mulheres não só se sentiam bem em como uma heroína estava sendo retratada no cinema com o alcance e popularidade que o longa teve, mas como também se viam ao lado de Gadot.