Nessa quinta (21), chega aos cinemas o novo Jurassic World: Reino Ameaçado, quinto filme da franquia dos dinossauros em 25 anos desde o lançamento do clássico Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros, em 1993.

Crítica | Jurassic World: Reino Ameaçado

Muito semelhantemente a outra criatura dos anos 1980, O Exterminador do Futuro, a saga dos dinos ressuscitados foi longe demais – aqui vão alguns motivos:

Jurassic Park III (2001)
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1) SEQUÊNCIAS RUINS | Quando o sucesso de Jurassic Park ultrapassou qualquer expectativa em 1993, entendemos o impulso de fazer uma continuação, o que foi concretizado em 1997 com O Mundo Perdido, o primeiro de uma série de desastres que se seguiu com o passar dos anos (e décadas). Quando você tenta quatro vezes fazer uma boa continuação e não consegue, talvez seja hora de desistir.

2) SÓ UMA MENSAGEM | A verdade é que Jurassic Park nunca se prestou a continuações. O primeiro filme é bem contido em si mesmo, e todas as premissas das continuações parecem absurdas e forçadas – sem contar que a franquia nunca teve nada a dizer além do básico confronto homem arrogante vs. natureza todo-poderosa. Não precisamos de cinco filmes para sacar isso, pessoal!

Jurassic Park

3) OUTRAS REPETIÇÕES | A imagem acima parece familiar? A colocação de câmera, a a forma como os raptors cercam um humano que busca levantar as mãos e, especialmente, não borrar as calças de medo? Jurassic World reciclou essa exata imagem com um herói ligeiramente mais corajoso, mas não é a única ideia reciclada da franquia – quantas vezes você já viu uma pata gigantesca de dinossauro pisando no chão do lado de um carro, embaixo do qual um dos personagens estava escondido? Ou o “focinho” de um dino se insinuando pela janela do mesmo carro?

Steven Spielberg
Steven Spielberg

4) NINGUÉM É SPIELBERG | Jurassic Park foi especial por causa de Steven Spielberg, e Hollywood ainda não achou um novo Steven Spielberg. Diretores talentosos das gerações que vieram depois deles existem muitos, mas ninguém dirige um blockbuster como ele – ninguém tem o domínio da linguagem, e a desenvoltura para ser criativo em um ambiente limitado do mainstream, como ele. Sim, ele dirigiu O Mundo Perdido em 1997, mas o fez no “piloto automático” – o verdadeiro Spielberg, só vimos em Jurassic Park.

5) EVOLUÇÃO DOS EFEITOS | A princípio, esse parece ser um argumento pelo qual filmes da saga Jurassic deveriam continuar a ser produzidos, mas não é bem assim. Jurassic Park, o de 1993, funcionava pela inacreditável emoção de ver dinossauros recriados no cinema de maneira realista pela primeiríssima vez – era uma experiência transportadora que não podia ser replicada. Hoje em dia, com a evolução dos efeitos especiais, a graça inevitavelmente diminuiu.

Jurassic World

6) VEIA IRÔNICA | Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros tentou adotar uma veia sarcástica quanto ao status da franquia como uma das maiores de Hollywood. Fazendo brincadeiras sutis com os clichês do blockbuster e com a própria estupidez de sua premissa repetida, o filme de Colin Trevorrow tentou ganhar pontos com os hipsters e com o espectador médio ao mesmo tempo, zombando das convenções hollywoodianas tanto quanto as seguia à risca. Não funcionou.

Jurassic World: Reino Ameaçado

7) PROTAGONISTAS INSUPORTÁVEIS | Os personagens humanos da franquia Jurassic nunca foram um poço de carisma, mas a franquia se superou com Owen e Claire, personagens de Chris Pratt e Bryce Dallas Howard que lideram os dois últimos filmes. Ele é o pior tipo de herói hollywoodiano (o machão convencido com talentos especiais que ninguém consegue explicar), e ela o pior clichê feminino (a viciada em trabalho que se apaixona por ele e redescobre sua compaixão).