De janeiro a dezembro, 2018 ofereceu um catálogo distinto e interessante de lançamentos para o cinema, incluindo os filmes de 2017 que acabaram chegando ao Brasil na temporada de premiações.

Aqui, separamos nossas escolhas para os melhores e os piores filmes lançados comercialmente no Brasil em 2018, classificados por ordem alfabética.

Confira abaixo.


OS MELHORES

Aquaman

Trazendo o épico de volta não apenas à DC e o gênero de super-heróis, o filme de James Wan apresenta um blockbuster feito à moda antiga, com excelentes cenas de ação e um cuidado visual simplesmente inexistente na maioria das produções contemporâneas. Aquaman é um filme de aventura raiz, que beneficia de seu ritmo divertido e o trabalho eficiente em contar uma boa jornada do herói. A salvação da DC.

As Aventuras de Paddington 2

Pouco conhecido no Brasil, a continuação para a primeira adaptação do urso britânico Paddington é um deleite do começo ao fim. Uma obra infantil, sem dúvida, mas realizada com maestria e um cuidado plástico que falta em boa parte das produções de Hollywood. Além do primor técnico, As Aventuras de Paddington 2 acerta no roteiro que traz as lições de moral certas, além de ser engraçado e trazer o melhor do elenco britânico – que conta com um inspirado Hugh Grant.

Buscando…

Pode parecer uma hipérbole, mas Buscando… oferece um olhar ao futuro da linguagem cinematográfica. Ao menos a uma forma delas, onde o cineasta Aneesh Chaganty desenvolve uma história de mistério toda contada através de telas de computadores, smartphones e câmeras de segurança, gerando uma das experiências mais originais e estimulantes do ano. John Cho mostra-se um tremendo ator dramático, enquanto o cinema segue descobrindo novas formas de contar histórias.

Hereditário

Quando um terror atinge todo o seu potencial, pouca coisa é capaz de ficar em seu caminho. Marcando a estreia de Ari Aster na direção e no roteiro, Hereditário é uma experiência poderosa e perturbadora, onde a fórmula básica da casa mal assombrada ganha nova vida graças à inteligente perspectiva de seu roteiro virtualmente perfeito. Acrescente a incrível performance de Toni Collette e temos aí um dos filmes de terror mais memoráveis dos últimos anos.

Infiltrado na Klan

Um retorno triunfal de Spike Lee, que entrega aqui seu melhor filme em quase duas décadas. Narrando a história real nada convencional de um policial negro que se infiltra na Ku Klux Klan, Lee aproveita para trazer um importante discurso social sobre o racismo no século XXI, além de se divertir com diversas referências do cinema blaxploitation e contar com um elenco fortíssimo em destaque.

Jogador Nº 1

Steven Spielberg retorna à seu modo adolescente, trazendo de volta o lado aventuresco de Os Caçadores da Arca Perdida e Jurassic Park para uma aventura de ficção científica cheia de referências. Jogador Nº 1 exala energia e diversão, mostrando que um cineasta veterano é capaz de surpreender com novas tecnologias e recursos narrativos, no que é basicamente uma versão moderna de A Fantástica Fábrica de Chocolate. Um Spielberg em excelente forma, e que nos lembra porque amamos tanto seus filmes.

Nasce Uma Estrela

Bradley Cooper surpreende em sua estreia como diretor no remake de um clássico do cinema, sendo capaz de extrair frutos novos mesmo tratando-se da quarta versão de Nasce Uma Estrela. Mas além da direção sólida de Cooper, que também se entrega em uma atuação poderosa, é mesmo Lady Gaga quem rouba os holofotes, com canções incríveis e um talento de atuação incrível, que pode muito bem lhe garantir um Oscar de Melhor Atriz.

Pantera Negra

Se a DC abraço o épico divertido com Aquaman, a Marvel Studios encontrou uma forma de amadurecer e crescer, dando a Ryan Coogler a oportunidade de fazer de Pantera Negra um filme político e relevante. Com um roteiro afiado e uma direção elegante, o filme sobre o Rei de Wakanda faz coisas que um filme do gênero nunca se arriscou, beneficiando-se também do talento de seu impecável elenco – que traz o ótimo Michael B. Jordan como destaque. A melhor produção da Marvel Studios, de longe.

Trama Fantasma

Paul Thomas Anderson é sinônimo de qualidade, e não foi diferente em sua reunião com o gênio Daniel Day-Lewis no peculiar Trama Fantasma. Analisando a relação de um metódico costureiro e sua mais recente musa, vivida pela excelente Vicky Kreips, temos uma trama absurdamente original e tecida por grandes diálogos, uma direção segura e uma elegante trilha sonora de Jonny Greenwood. Fez menos barulho do que merecia na cerimônia do Oscar.

Três Anúncios para um Crime

Um dos filmes mais audaciosos e originais presentes na cerimônia do Oscar deste ano, Três Anúncios para um Crime beneficia-se de uma trama nada convencional e de um roteiro brilhante. Traz uma mistura eficiente entre drama e humor negro, além de um elenco poderoso que traz o melhor de Frances McDormand, Woody Harrelson e Sam Rockwell.

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OS PIORES

15h17 – Trem para Paris

Clint Eastwood é um dos nomes mais respeitáveis do cinema americano contemporâneo, mas é difícil de acreditar que um cineasta tão eficiente tenha entregado um trabalho tão patético. Já começa por abordar um acontecimento com pouco potencial para um longa de 2 horas, e fica ainda pior por Eastwood confiar no talento (inexistente) dos soldados reais que inspiraram o longa, interpretando eles mesmos. Um show de vergonha alheia, e muita vara de selfie pela Europa.

Cinquenta Tons de Liberdade

Uma trilogia que foi chutada e criticada desde sua estreia em 2015, Cinquenta Tons de Liberdade encerra a história de Anastasia Steele e Christian Grey com a mesma qualidade pífia de seu primeiro capítulo, só que dessa vez sem o apuro estético do original ou o humor involuntário de sua continuação, sendo um longa tedioso e que constantemente flerta com um novelão mexicano – e até mesmo The Room em seus momentos mais absurdos. Liberdade mesmo é a do espectador, que não precisa mais assistir a esses filmes.

A Freira

Sendo muito aguardado após o sucesso dos filmes de Invocação do Mal, A Freira é o primeiro grande deslize do universo compartilhado de James Wan, que sofre com um péssimo roteiro e uma execução pouco inspirada. Pode ter sido um sucesso comercial, mas o demônio Valak merecia algo bem melhor, e que causasse mais medo do que risadas involuntárias e tédio absoluto.

Jurassic World: Reino Ameaçado

O reboot/continuação de Jurassic Park comandado por Colin Trevorrow já tinha sido uma infeliz adição à franquia, e ainda que o diretor tenha nos poupado ao passar o bastão para o eficiente J.A. Bayona, o roteiro de Jurassic World: Reino Ameaçado é uma verdadeira atrocidade. Entre leilões de dinossauros e até brincadeira com clones, o filme é o mais recente grito por um golpe de misericórdia da franquia, que já passou da hora de finalmente ser extinta.

O Predador

Desde o começo, Shane Black não era a escolha mais acertada para comandar um reboot do Predador, e assistindo ao novo filme, fica bem claro que o diretor realmente deveria permanecer nas comédias policiais. O Predador é um filme desconjuntado, completamente fora de tom e que desrespeita o legado do alienígena, sendo um festival de ideias ruins e personagens pavorosos. Só não é pior do que Alien vs Predador 2, mas poucas coisas são.

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

Em mais uma tentativa de reciclar o sucesso de Alice no País das Maravilhas, a Disney traz um esforço embaraçoso na forma de O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, filme que ofende até mesmo a ingenuidade de uma criança com sua narrativa ridícula e seus personagens patéticos – o que aconteceu com Keira Knightley aqui? Isso sem falar da direção bizarra que claramente foi prejudicada nos bastidores. Um desastre grandioso, e que definitivamente não custou barato ao estúdio.

Verdade ou Desafio

Por falar em risadas involuntárias, é difícil entender o que Jason Blum e sua Blumhouse tinham na cabeça ao aceitar produzir o pavoroso Verdade ou Desafio. Um terror que se leva a sério, mas que abraça o histérico ao apostar em uma premissa tão ridícula quanto seu visual, que gira em torno de uma brincadeira possuída. Ótimo para dar risadas.

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