Ninguém poderia prever que Aquaman, um dos heróis mais ridicularizados da DC, se tornaria o sucesso absoluto que é hoje. Rendeu mais de US$1 bilhão, recebeu boas críticas e garantiu um potencial universo próprio.

Aqui, vamos discutir os motivos que tornam o filme de James Wan a melhor produção da nova fase da DC – o chamado DCEU. Lembrando, é a nova fase, já que Aquaman não é superior à trilogia Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan ou o clássico Superman de Richard Donner.

Confira abaixo.


O carisma de Jason Momoa

Foi uma ponta estranha em Batman vs Superman e uma participação bem qualquer coisa em Liga da Justiça, mas Jason Momoa realmente brilha em Aquaman. Ele encarna o melhor do clássico herói de ação brucutu com uma personalidade divertida e comovente, e definitivamente queremos mais de seu Arthur Curry.

Elenco de apoio forte

Seguindo a tradição do bom filme de origem, Aquaman tem muitos astros de peso em seu elenco de apoio. Além de Amber Heard como Mera, temos lá Willem Dafoe, Nicole Kidman, Dolph Lundgren, Temuera Morrison, Patrick Wilson e até mesmo uma inesperada participação de Judi Dench.

Arco de herói clássico

Às vezes, não é preciso reinventar a roda. O roteiro de Aquaman não é nada brilhante, mas conta uma história de jornada do herói de forma perfeita, baseando-se não só nas regras de Joseph Campbell, mas também no clássico mito do Rei Arthur. Isso garante um aprofundamento bem mais forte e envolvente com o protagonista.

Orm é um ótimo vilão

A DC raramente falha com seus vilões, e Aquaman é mais um acerto. Vivido por um Patrick Wilson devidamente surtado e exagerado, Orm – ou Mestre dos Oceanos – é uma ameaça de peso para o herói, e traz uma justificativa convincente ao querer destruir a humanidade pela constante poluição dos oceanos. Além do mais, que armadura mais sensacional. 

Arraia Negra é sensacional

Por falar em armaduras e exagero, chegamos ao Arraia Negra. Vivido por Yahya Abdul Mateen II com muita intensidade, o clássico vilão do Aquaman é um dos melhores aspectos do filme, por ser puro quadrinho: tem um traje ridiculamente fiel, uma voz grave e sai proclamando frases de efeito dignas de um vilão de desenho. Mal posso esperar para ver mais de Arraia na continuação. 

Toques de terror

Como James Wan se especializou no terror com Jogos Mortais, Sobrenatural e a franquia Invocação do Mal, era de se esperar algo levemente assustador aqui. Wan faz isso com a excepcional sequência do Fosso, quando Aquaman e Mera são atacados pelos Abissais em uma tempestade. É uma cena tensa e belissimamente fotografada, e do tipo que não vemos na maioria dos filmes de super-heróis.

Aventura leve e bem humorada

A inspiração de James Wan para seu Aquaman sempre foi o chamado “swashbuckling”, mais representado por matinês e filmes de piratas. É exatamente o que vemos aqui, onde os protagonistas embarcam em uma clássica caçada ao tesouro com toques de Indiana Jones, rendendo uma diversão leve e envolvente. O perfeito equilíbrio do humor com o épico.

Escala colossal

Aquaman é um filme imenso, e daqueles onde vemos o dinheiro na tela. Não só pela forma como James Wan dirige e aposta em quadros grandiosos, mas também pela riqueza de detalhes no design de produção, figurinos, fotografia e também os impecáveis efeitos visuais. Um blockbuster de peso, que é um festim para os olhos.

Cenas de ação incríveis

Eu fiquei extremamente mal acostumado depois de assistir a Aquaman. Todo filme de super-herói que vejo agora me parece mais tímido perto da direção excepcional de James Wan, que realmente entende o significada de estilo, espetáculo e total deslumbramento. Os melhores enquadramentos de Aquaman parecem pinturas (a cena do Fosso é um espetáculo à parte), e vemos aqui um diretor realmente inspirado e que eleva o material à enésima potência. Isso é cinemão.

Uma bela história de amor

E não estamos falando de Aquaman e Mera. O grande coração do filme pertence a Thomas e Atlanna, os pais do herói que abrem e encerram o filme, completando uma clássica de história de amor de pescador – com ecos fortes de Splash: Uma Sereia em Minha Vida. O reencontro dos dois no final tem sua pitada de breguice, mas é simplesmente lindo.