Atenção! Contém spoilers da 2ª temporada de Mindhunter.

Com 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, Mindhunter é uma das séries mais aclamadas da Netflix. A produção de David Fincher estreou nesta semana sua segunda temporada, que trouxe mais assassinos, mais mistérios e mais histórias reais.

A primeira temporada de Mindhunter foi ambientada em 1977, nos primeiros passos do departamento de análise comportamental e psicologia criminalística do FBI. Já no segundo ano, a série se passa em 1980 e acompanha alguns dos crimes mais famosos da década.


Mindhunter é conhecida por trazer caracterizações fiéis de serial killers e contar sem rodeios os detalhes de tragédias notórias. E na segunda temporada, isso não é diferente.

Confira abaixo o que é real e o que é ficção na segunda temporada de Mindhunter!

Real: Assassinatos de Crianças

No terceiro episódio da nova temporada de Mindhunter, a série introduz o público ao caso mais importante do segundo ano: os assassinatos de crianças na Georgia. Ford viaja a Atlanta para entrevistar dois suspeitos em uma série de assassinatos, e se vê envolvido em uma outra lista de crimes não-resolvidos.

A história é real. Entre 1979 e 1981, pelo menos 28 crianças foram mortas em Atlanta, capital do estado americano de Georgia. Todas as vítimas eram negras, e a maioria era constituída de jovens garotos. Seis adultos também foram mortos possivelmente pelo mesmo serial killer. Em 1982, Wayne Williams foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato de duas das vítimas adultas, e está na cadeia até hoje.

No entanto, nem Williams e nem ninguém foi condenado pelos assassinatos das crianças, e o crime permanece envolto em mistérios até hoje.

Ficção: Os agentes

Embora sejam baseados em pessoas reais, as identidades dos protagonistas de Mindhunter são fictícias. Holden Ford e Bill Tench são inspirados respectivamente nos agentes John E. Douglas e Robert Ressler. Os dois realmente trabalharam na unidade de elite contra assassinos em série do FBI na época de seu surgimento.

Ressler inclusive cunhou o termo serial killer nos anos 70. A nomenclatura foi popularizada nos Estados Unidos justamente na época da cobertura dos assassinatos das crianças de Georgia.

Além de inspirar a criação de Holden Ford em Mindhunter, John E. Douglas também serviu como base para a caracterização de Jack Crawford nos livros de Thomas Harris e Will Graham na série Hannibal.

Real: Charles Manson

Charles Manson não matou muitas pessoas diretamente, mas mesmo assim a maioria do público o conhece como um dos serial killers mais famosos de todos os tempos. Manson atuou com sua seita no final dos anos 60, e já estava preso há muito tempo na época do início de Mindhunter.

Na primeira temporada, Holden Ford manifesta o desejo de entrevistar o psicopata, e nos novos episódios, o protagonista tem seu desejo realizado. Na vida real, o agente do FBI que inspirou Ford realmente chegou a entrevistar Charles Manson na cadeia. Assim como na vida real, na série a conversa com o assassino é essencial para os agentes entenderem como sociopatas seduzem suas vítimas.

E Charles Manson era um mestre da sedução. Nos anos 60, o carismático “Charlie” fundou uma comunidade de hippies em pleno deserto californiano. Com amizades nos altos escalões de Hollywood, Manson foi o responsável por uma série de nove assassinatos, cometidos por seus seguidores. Entre as vítimas mais conhecidas do massacre de 1969, estavam Abigail Folger, Jay Sebring e Sharon Tate. A última era atriz e esposa do cineasta Roman Polanski. Ela estava grávida quando levou 16 facadas de duas pupilas do psicopata.

Charles Manson morreu em 2017, aos 83 anos, em uma penitenciária na Califórnia. Em Mindhunter, Manson é interpretado por Damon Herriman, que também vive o mesmo personagem em Era Uma Vez em Hollywood.

Ficção: Dra. Carr

Assim como os agentes Ford e Tench, a identidade da Dra. Wendy Carr também é fictícia. A psicóloga e criminalista é inspirada em Ann Wolbert Burgess.

Burgess é uma pesquisadora importantíssima nas áreas de violência sexual e traumas, e desenvolveu alguns dos métodos mais famosos para que vítimas de estupro e exploração sexual se lembrem de memórias reprimidas. A Dra. trabalhou com Douglas e Ressler nos anos 80 na criação dos perfis de serial killers.

Em Mindhunter, a Dra. Carr é lésbica, e sofre por estar no armário. Na vida real, a Dra. Burgess é heterossexual, casada e com dois filhos. Com 82 anos atualmente, a especialista ministra aulas na Universidade de Boston.

Real: O assassino BTK

Na primeira temporada de Mindhunter, um homem misterioso aparece em várias cenas desconexas, realizando de atividades corriqueiras a atos realmente estranhos e ameaçadores. A segunda temporada da série revela a identidade do personagem: Dennis Rader, também conhecido como “assassino BTK”, um dos criminosos mais infames da história dos Estados Unidos.

BTK significa “bind, torture, kill” (amarra, tortura e mata), e era exatamente isso que Rader fazia com suas vítimas. O assassino tinha fetiches por roupas íntimas femininas, e começou sua onda de crimes matando uma família inteira em 1974. Com o tempo, o serial killer começou a se vangloriar de seus atos, e chegou a enviar várias cartas para a polícia com fotos dos corpos e mensagens orgulhosas.

Um dos aspectos mais tenebrosos da “carreira” criminosa de Rader era sua vida dupla. Ninguém desconfiava que o homem de bem, de família, casado, com dois filhos, líder dos escoteiros e presidente do conselho de atividades da Igreja Luterana poderia cometer atos tão cruéis e depravados, como o assassinato de pelo menos 10 pessoas.

Dennis Rader foi preso apenas em 2005, e a frieza com que confessou seus crimes é lembrada até hoje nos anais da história criminal dos Estados Unidos.

Fictício: Ataques de pânico

No início da segunda temporada de Mindhunter, Holden Ford aparece internado em um hospital após seu tenso encontro com o serial killer Ed Kemper no final da primeira temporada.

O agente chega a ser amarrado em uma cama após sofrer intensos ataques de pânico provenientes de seu contato próximo com os serial killers.

Isso não aconteceu na vida real, ou pelo menos John E. Douglas não confirmou a história. O agente do FBI, no entanto, foi internado no hospital em 1983 após uma encefalite quase fatal.

Real: Filho de Sam

Outro assassino que ganha destaque na 2ª temporada de Mindhunter é David Berkowitz, mais conhecido como “Filho de Sam”.

Ford e Tench entrevistam o serial killer no segundo episódio da 2ª temporada, pouco depois de sua prisão. O alvoroço criminoso de Berkowitz foi rápido e assustador, deixando Nova York em pânico entre 1976 e 1977.

Berkowitz atirava aleatoriamente em pessoas pelos vidros dos carros, com um revólver calibre .44. O assassino tinha uma predileção especial por casais, matou 6 pessoas e deixou 7 feridas.

Após enviar cartas provocativas para as delegacias, o assassino provocou a maior caçada policial da história de Nova York, sendo preso em agosto de 1977. Ele ficou conhecido como “Son of Sam” pois assinou uma das cartas com esse nome.

Para justificar seus crimes, David Berkowitz usou uma das desculpas mais bizarras de todos os tempos: o serial killer afirmou que só tinha cometido os assassinatos pois um demônio tinha possuído Harvey, o cão de seu vizinho, e comandado as atrocidades. Nos anos 90, ele confirmou que a desculpa era apenas uma invenção.

David Berkowitiz está vivo até hoje, cumprindo pena de prisão perpétua. Atualmente, ele está com 66 anos.

Ficção: Kay Mason

Kay Mason é uma das poucas personagens de Mindhunter que não é baseada em nenhuma pessoa real. Na segunda temporada da série, Mason serve como interesse romântico para a Dra. Wendy Carr, e permite que a série explore a sexualidade da personagem e seus efeitos em uma época de grande preconceito e intolerância.

Mason é interpretada por Lauren Glazier, e trabalha como bartender em um bar próximo ao quartel general do FBI.

A segunda temporada de Mindhunter já está disponível na Netflix.