Coringa está em cartaz nos cinemas, oferecendo um olhar completamente diferente sobre a história de um dos maiores vilões do mundo dos quadrinhos. É uma boa hora para relembrarmos por que (quase) todo mundo detestou o último filme que trouxe o personagem para o cinema: Esquadrão Suicida.

Lançado em 2016, Esquadrão Suicida conta com míseros 27% de aprovação no Rotten Tomatoes, e embora tenha feito sucesso nas bilheterias e se tornado o 10º filme mais lucrativo do ano, conseguiu desagradar tanto críticos de cinema quanto fãs dos personagens nas HQs.

Antes (ou depois) de conferir a nova história da DC nos cinemas, relembre abaixo tudo que deu errado em Esquadrão Suicida.


Muita explicação, pouca ação

No cinema, mostrar é na maioria das vezes melhor do que explicar. Em um filme com um elenco de personagens grande como Esquadrão Suicida, os roteiristas não tem tanto tempo para deixar que o enredo se desenvolva naturalmente. Mesmo assim, existem maneiras bem mais elegantes e satisfatórias de se introduzir uma trama do que a utilizada em Esquadrão Suicida. O filme conta com uma ENORME abertura na qual Amanda Waller basicamente descreve a personalidade e os feitos dos membros do Esquadrão. Embora alguns dos flashbacks sejam interessantes individualmente, a junção deixou tudo desconexo e muito na cara.

Poucas missões

Nas HQs, o Esquadrão Suicida não é apenas um grupo de bandidos que se junta para uma grande missão, mas sim a equipe especial de Amanda Waller, pronta para resolver qualquer problema da maquiavélica personagem. Por isso, muitos fãs estranharam a missão dos “heróis” na adaptação cinematográfica. Para que os personagens pudessem se desenvolver individualmente, o time deveria ter participado de mais missões de pequeno impacto, atos de espionagem e até perdido alguns membros. Nos quadrinhos, é comum que os integrantes do Esquadrão morram de uma hora para outra, e isso não foi adaptado de maneira efetiva para as telas.

Edição

Muitos consideram que os trailers de Esquadrão Suicida são melhores do que o filme em si. As prévias eram estilizadas, cativantes e contavam com uma ótima trilha sonora. Pelo sucesso dos trailers, a Warner decidiu arquivar o corte do diretor David Ayer e contratar a empresa responsável pela produção dos teasers para reeditar o longa. O resultado é um desastre de edição, com tom inconsistente e cenas sobrepostas de maneiras realmente bizarras, principalmente os flashbacks.

Classificação indicativa

Esquadrão Suicida poderia ter se tornando um sucesso instantâneo se fosse proibido para menores. Deadpool e Logan provaram que filmes adultos de super-heróis fazem sucesso nas bilheterias e costumam ser aclamados pela crítica especializada. Por isso, com fé no produto original e nos fãs, uma versão para adultos do Esquadrão Suicida poderia ter adaptado de maneira memorável alguns dos personagens mais egoístas, imorais e impiedosos da DC. Como o filme teve que se adequar às exigências dos classificadores indicativos, muito do charme original dos vilões foi perdido.

Sem estilo

Os trailers de Esquadrão Suicida prometiam um filme brilhante e caótico, com estilo e identidade estética bem definidos. Infelizmente, o longa não transportou o mesmo estilo para as telonas. A cinematografia foi considerada clichê e derivativa, e até mesmo as sequências de ação falharam em empolgar o público. Isso tudo sem citar o bizarro visual CGI de Magia e Incubus.

Diálogo

Quando os trailers de Esquadrão Suicida foram lançados, alguns fãs mais atentos perceberam que algo estava errado com o diálogo do longa. Repleto de frases feitas e momentos forçados, a esperança é que o trailer tivesse pegado apenas algumas das falas mais “icônicas” do filme. Para tristeza de muitos, grande parte do diálogo real do filme também é marcada por uma irreverência irreal dos personagens, que não perdem uma oportunidade para fazerem uma piadinha esperta ou um xingamento criativo. Os filmes do MCU também foram criticados pelo mesmo motivo, porém Esquadrão Suicida passa da conta. “Nós somos vilões, é o que fazemos!”.

Desenvolvimento dos personagens

A maioria dos personagens de Esquadrão Suicida começa e termina o filme do mesmo jeito. Com um elenco enorme e uma trama básica, o filme não oferece oportunidades interessantes para o desenvolvimento dos personagens. Por isso, a maioria deles fica restrita a uma caricatura de apenas uma dimensão de suas contrapartes das HQs. Com exceção de Arlequina e Pistoleiro, os “vilões” de Esquadrão Suicida não puderam mesmo comprovar seu valor e importância para a história.

Roteiro e motivações

Você sabia que o diretor e roteirista David Ayer teve apenas 6 semanas para produzir o roteiro do filme devido a uma data de lançamento irredutível fixada pela Warner? A pressa do estúdio foi a culpada por muitos dos defeitos do filme, e é sentida mais profundamente no desenvolvimento da antagonista Magia. A motivação da personagem é no mínimo simplista e clichê, e seu método é ainda mais confuso: como os humanos agora adoram máquinas, ela vai construir uma máquina para destruir a humanidade. Uma ameaça global como essa com certeza deveria ser controlada por heróis como Superman ou pelos que colocaram o Esquadrão Suicida na cadeia. O estilo do filme não combinada nada com os personagens, e poderia muito bem ter sido utilizado em qualquer outro filme da DC.

Coringa

Finalmente… o Coringa. Durante as gravações de Esquadrão Suicida, a mídia se cansou de noticiar o comportamento “inusitado” de Jared Leto nos bastidores, fazendo de tudo para “entrar” na mente do Coringa. Era esperada uma performance excelente, que definiria mais uma vez o vilão nas telonas. Quando o visual do Coringa foi revelado, alguns fãs desconfiaram que algo não cheirava bem. No fim das contas, o Coringa de Esquadrão Suicida foi uma decepção. Além de aparecer por pouquíssimo tempo no filme, as cenas do Palhaço do Crime conseguiram irritar os fãs mais exaltados do vilão e deixar desconfortável a maioria dos espectadores. A performance de Leto foi bastante criticada por apresentar uma versão do Coringa que não fez jus a basicamente nenhuma encarnação do personagem nas HQs. O Coringa de Esquadrão Suicida é mais gângster do que insano, e em grande parte de suas cenas, parecia mais preocupado com sua imagem no filme e estilo visual do que com a interpretação propriamente dita.

Mas nem tudo está perdido!

Arlequina vai voltar em Aves de Rapina, previsto para estrear em 7 de fevereiro de 2020. Além disso, Esquadrão Suicida vai ganhar uma sequência-reboot, que será produzida por James Gunn e deve estrear em 6 de agosto de 2021.

Enquanto isso, Coringa permanece em cartaz nos cinemas.