Após ter estourado com o premiado terror social Corra!, o diretor e roteirista Jordan Peele volta a indagar e questionar com seu novo filme: Nós, lançado no começo do ano.

Com o filme chegando ao Telecine, paramos para analisar alguns dos temas sociais que o longa estrelado por Lupita Nyong’o aborda.

Confira abaixo.


A sociedade americana

Em inglês, o título original do filme oferece um belo duplo sentido: além de referir-se a Nós, Us também pode ser visto como as iniciais de United States. Dessa forma, Jordan Peele está criando uma alegoria sobre os próprios Estados Unidos da América – atualmente bem dividida entre a direita e a esquerda.

Duplicidade

Aí temos o clássico princípio de Ying/Yang que acompanha todo tipo de história desde sempre: o bem contra o mal, e dentro de uma mesma pessoa. Peele afirmou em entrevistas que uma das ideias centrais era reconhecer os dois lados de uma mesma moeda, algo literalmente expresso na figura de “duplos” de cada personagem – e que são significativamente mais assustadores.

Desigualdade social

Quando aprendemos que os misteriosos duplos na verdade são experimentos do governo abandonados, mais uma carta de Nós se revela. Cada pessoa tem seu duplo acompanhando as ações de sua vida na superfície, dando pintando o retrato de uma sociedade que vive de forma satisfatória enquanto muitos abaixo dela sofrem e almejam por algo melhor. 

O medo do estrangeiro

É uma visão um pouco mais específica, mas confirmada por Jordan Peele em uma de suas diversas entrevistas. Aqui, a ideia é que a chegada dos duplos é vista como uma ameaça pelos protagonistas; afinal, eles se parecem com eles e podem substitui-los de forma imperceptível. Muitos leram como uma crítica à política cada vez mais anti-imigrante dos EUA, já que americanos temem que estrangeiros cheguem no país para tomar seus empregos e “substituí-los”.

Autocrítica

Durante uma das entrevistas de divulgação do filme no começo do ano, Peele destrinchou seu grande comentário em relação a Nós: a ideia é a de que, por mais que temamos e julgamos os fatores externos, realmente precisamos olhar e encarar nosso maior oponente, que seria nós mesmos – nossas imperfeições e julgamentos. É uma forma de colocar um grande espelho na frente do espectador.