Quando se trata de Justiceiro, o personagem não é apenas querido pelos fãs de quadrinhos. Para muitos que servem nas forças armadas e na aplicação da lei, o Justiceiro é um símbolo.

Como resultado disso, o símbolo do personagem – a caveira estilizada – é frequentemente usado por militares e policiais em acessórios, veículos, trajes e até mesmo quadros decorativos exibidos em escritórios e residências.

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Para o criador do Justiceiro nas histórias em quadrinhos, Gerry Conway, militares e policiais estarem usando o símbolo do personagem desta maneira é “perturbador e ofensivo”.

“Eu falei sobre isso em outras entrevistas”, disse Conway em conversa com o SYFY. “Para mim, é perturbador sempre que vejo figuras de autoridade abraçando a iconografia do Justiceiro porque o Justiceiro representa uma falha do sistema de Justiça. Ele deve indiciar o colapso da autoridade moral social e a realidade que algumas pessoas não podem depender de instituições como a polícia ou os militares para agir de maneira justa e capaz.”

Conway continuou explicando que o significado do símbolo do Justiceiro é mal compreendido por estas pessoas.

“O anti-herói vigilante é fundamentalmente uma crítica do sistema de justiça, um exemplo de fracasso social, então quando os policiais colocam crânios do Justiceiro em seus carros ou membros do exército vestem crânios do Justiceiro, eles basicamente entram para o lado dos inimigos do sistema. Estão adotando uma mentalidade fora da lei. Independente de acreditar que o Justiceiro é justificado ou não e admirar seu código de ética, ele é um fora da lei. Ele é um criminoso. A polícia não deveria abraçar um criminoso como símbolo.”

“De certa forma, é tão ofensivo quanto colocar uma bandeira confederada em um prédio do governo”, prosseguiu. “Meu ponto de vista é que o Justiceiro é um anti-herói, alguém que para quem podemos torcer por lembrar que ele também é um criminoso. Se um oficial, que representa o sistema de justiça, coloca o símbolo de um criminoso em seu carro de polícia, ou compartilha moedas desafiadoras honrando um criminoso, ele ou ela está fazendo uma declaração muito imprudente sobre sua compreensão da lei.”

Justiceiro atualmente conta com sua própria série na Netflix, cuja segunda temporada estreia em 18 de janeiro.