Após um início modorrento, a segunda temporada de True Detective finalmente dá indícios de que seu desfecho fará justiça ao brilhante primeiro ano do show criado por Nic Pizzolatto. Focado em explorar psicológicos e revelar informações importantes, o episódio “Black Maps and Motel Rooms” (exibido no último domingo) deixa a ação de lado até seus minutos finais. Isso, porém, não significa que os 64 minutos do sétimo e penúltimo episódio da trama foram sonolentos para os fãs. Pelo contrário.

Ao final de cada cena, a única certeza de quem assiste ao episódio é que os quatro protagonistas da série estão em sérios apuros. Muito sérios. Escondidos em um quarto de motel após Bezzerides (Rachel McAdams) sequestrar uma garota da orgia secreta promovida por figurões de Vinci, os investigadores descobrem que, além de estarem sozinhos na busca do assassino de Ben Caspere, fazem parte de uma trama maior e mais perigosa do que esperavam.

Os documentos ligando a Catalyst a Osip, recolhidos por Woodrugh (Taylor Kitsch) e Velcoro (Colin Farrell) na mansão em que são promovidas as festas sexuais, revelam que Frank Semyon (Vince Vaughn) é outro que não imaginava estar encurralado. Diante do medo e da raiva por ter sido enganado, o mafioso rende algumas das melhores cenas da temporada ao definitivamente se render seu lado psicopata – liberando a tensão que acumulou durante todo o processo para tentar recuperar seu dinheiro.


Enquanto isso, Velcoro e Bezzerides passam praticamente todo o episódio enclausurados em um quarto de motel, esconderijo escolhido após os acontecimentos da noite anterior. Identificada, ela é procurada pelo assassinato a facadas do segurança da festa. Já Velcoro cai em uma enrascada e é acusado pela morte de Katherine Davis, chefe da investigação secreta em que estão envolvidos.

A atmosfera carregada do quarto em que os personagens se encontram pode ser sentida pelo telespectador, uma vez que é traduzida perfeitamente pelas cores do ambiente, pela fotografia carregada e pela bela atuação de McAdams e Farrell na conversa mais sincera da temporada. Os diálogos do episódio, por sinal, fazem justiça aos que encantaram os fãs no primeiro ano do show.

O desabafo resulta em um longo abraço, concluído com uma das poucas relações sexuais verdadeira e livre de interesses na trama. Como resumiu Vera, a garota resgatada por Bezzerides, “tudo é sexo” na segunda temporada de True Detective.

A ação fica reservada para os minutos finais de “Black Maps and Motel Rooms”. Chantageado por Holloway com fotos da noite que passou ao lado de Gilb, Woodrugh se recusa a entregar os documentos que recolheu na mansão e troca tiros com os capangas do xerife corrupto. Após uma tensa e eletrizante fuga, a última cena do episódio mostra que a season finale de domingo (9) pode não ter um final tão feliz quanto o esperado.

Apesar de finalmente elucidar os espectadores, confusos nos primeiros cinco episódios da temporada, True Detective ainda tem muito a responder em seu episódio final. Principalmente pelo fato que a tornou uma série policial diferente das demais: o desenvolvimento psicológico e dramático de seus protagonistas. É claro que todos queremos saber quem matou Ben Caspere, e temos certeza que o mistério será solucionado. A beleza da verdade, no entanto, depende da forma como os outros detalhes serão esclarecidos e conectados.