O criador de Bojack Horseman, Raphael Bob-Waksberg, criticou a Netflix por pular créditos. A empresa tem estado extremamente ocupada ultimamente, garantindo que seu nível de conteúdo seja capaz de competir legitimamente com o novo e crescente número de concorrentes de serviços de streaming.

Muita coisa mudou no cenário do streaming desde a chegada da Netflix. Talvez a maior ameaça atualmente à Netflix, no entanto, seja a chegada recente do serviço de streaming da Disney, Disney+.

O tão esperado serviço foi lançado em novembro de 2019 nos Estados Unidos e desde então, desfrutou de alguns meses estelares. Um dos maiores sucessos da rede, Star Wars: The Mandalorian, já conseguiu cativar os fãs de Star Wars – especialmente com a introdução inesperada do personagem não oficialmente conhecido como “Bebê Yoda”.


Ao criar uma lista substancial de conteúdo original, além de seu extenso licenciamento de inúmeras franquias familiares e amadas, a Disney pode acabar ganhando total domínio sobre o mercado de streaming. Isso, é claro, é algo contra o qual a Netflix está lutando ativamente.

Seja aprimorando suas próprias opções de conteúdo ou criando opções que proporcionem ao espectador uma experiência geral mais suave, a Netflix deseja redesenhar e facilitar a maneira como seus clientes assistem filmes e TV. Infelizmente, esse desejo às vezes afasta aqueles que espera atrair.

Como criador de uma das séries de animação mais populares da Netflix, BoJack Horseman, Raphael Bob-Waksberg foi agora destacado por seu desdém por uma das práticas mais comuns da Netflix. Por algum tempo, os programas e filmes da Netflix terminam com a opção de assistir a um trailer de outro conteúdo, que ofusca o que o espectador estava assistindo originalmente.

A opção é problemática para alguns e útil para outros, mas desde que respondeu a um tuíte do músico Stevie Van Zandt que criticou a prática, Bob-Waksberg se tornou outro apoiador da ideia de manter os créditos rolando, até mesmo indo ao ponto de indicar que prefere trabalhar com outra rede ou serviço que não apóia a prática.

“Um programa representa o trabalho incansável e acumulado de centenas de artistas criativos que sonham em um dia ter seus nomes encolhidos em uma pequena caixa e depois cortados abruptamente por um trailer de The Witcher”, ironizou o produtor no Twitter.

“Quando eu assisti Undone, eles colocaram um anúncio para o próximo episódio, sobre a tela, ANTES de chegar aos créditos. A pessoa com quem eu estava assistindo ficou tão distraída que tivemos que voltar e assistir ao final novamente, porque ela perdeu.”

Detalhe conveniente ou inconveniente?

Os tuítes foram apoiados por muitos assinantes da Netflix que detestam os esforços do serviço de streaming para levar as coisas adiante para os telespectadores. O criador de BoJack Horseman argumenta que uma mudança repentina e (nesse caso) indesejada da transmissão para um trailer é invasiva e pode até arruinar o final de um filme ou programa para alguns.

Outro aspecto do argumento é que reduzir os créditos é desrespeitoso com aqueles que trabalharam em um filme ou programa de TV específico da Netflix. Sem manter os créditos como o foco central na tela, aqueles que dedicam uma quantidade incontável de tempo e esforço para criar algo para o público são reduzidos a meros conteúdos irrelevantes.

Para alguns cineastas ou produtores, isso talvez não seja tão importante, mas Bob-Waksberg claramente quer ver o fim do costume – ou pelo menos, dar aos espectadores a opção de querer ou não uma opção de trailer. A Netflix oferece a opção de desativar o trailer automático, mas atualmente a gigante do streaming não permite que os espectadores parem completamente com isso.

Embora seja compreensível que a Netflix esteja tentando de tudo para tornar a transmissão confortável e conveniente, Bob-Waksberg tem razão. O trailer não é apenas invasivo, mas também um obstáculo irritante para quem deseja conferir alguma coisa nos créditos no final do filme ou programa escolhido.

BoJack Horseman termina nesta sexta, 31, quando os episódios finais da 6ª temporada são lançados.